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MEDIADORES EVOCAM NECESSIDADE DE RIGOR E QUALIDADE NOS SERVIÇOS

AMSA quer banca fora do mercado segurador

SEGUROS. Proposta da AMSA é reprovada pela Associação das Seguradoras de Angola (ASAN), considerando-a desajustada.Intervenção dos operadores bancários nos seguros está a ser questionada por alegadamente se focarem mais na arrecadação de receitas, do que propriamente na prestação de serviços de qualidade.

AMSA quer banca fora do mercado segurador

Associação dos Mediadores e Correctores de Seguros de Angola (AMSA) propõe o afastamento da banca do mercado segurador, por suposta inobservância das regras de qualidade da indústria do seguro.

Ao VALOR, Celestino Pelé, PCA da AMSA, defende que os técnicos bancários, dada a natureza da sua profissão, que se circunscreve na intermediação financeira, têm emitido apólices com base num processo em que “fica claro haver mais interesse de arrecadação” do que propriamente vender um produto de qualidade.

Celestino Pelé denuncia ainda haver bancos que estão a condicionar a concessão de crédito à subscrição de uma apólice de seguros.   “Na prática, esses contratos obviamente sem qualidade, ficam sem coberturas. Há muitas pessoas que acorrem a nós para saber quais são as coberturas da apólice que firmaram no banco. O que quer dizer que não foi explicado nada”, sublinha Celestino Pelé, defendendo que o produto segurador deve ser comercializado “com foco na qualidade, transparência e clareza, visando transmitir uma sensação de protecção ao tomador”.

O líder associativo apela à ARSEG, entidade reguladora do sector, não só para tomar nota do alerta que faz, mas sobretudo para agir. Na perspectiva de Celestino Pelé, se a banca tiver de permanecer a operar no sector segurador, deve vender apenas produtos Vida, por ser um produto com incidência e cariz financeiro.

Para o responsável da AMSA, por mais que um técnico bancário tenha beneficiado de uma formação na área dos seguros, o seu foco são as finanças.

As companhias atreladas à banca recusam-se, no entanto, a abordar sobre o assunto, visando não agudizar a discussão.

José Araújo, director executivo da Associação das Seguradoras de Angola (ASAN), considera que a questão levantada pela associação dos mediadores “não faz sentido”, e que está ultrapassada pelo tempo, dado que a prática ocorre em “toda a parte do mundo”. E nega a possibilidade de se limitar os bancos ao seguro Vida, esperando que o sector continue a contar com a diversificação de canais de distribuição existentes.  “A formação que é dada aos operadores bancários é igual à que é dada aos mediadores para os mesmos produtos”, garante José Araújo, admitindo haver seguros em que é necessário maior especialização e cuja venda é apoiada pelas estruturas comerciais das seguradoras.

Medidas contra usurpação de clientes

Na edição do dia 26 de Agosto, o VALOR publicou uma matéria em que diferentes mediadores denunciaram a existência de companhias de seguro que coagem os clientes no fim dos contratos a abdicarem dos  mediadores que os levam às seguradoras para subscrever a apólice.

Para escapar a essa alegada prática das seguradoras, os mediadores passaram a adoptar novas técnicas. Por exemplo, Gelson Fernando Quiala, director da mediadora 4F, optou por não conceder o contacto telefónico dos clientes às seguradoras como fazia antes. Nas subscrições, coloca o seu próprio contacto, e apenas ele fica com o número do segurado. Com uma carteira que ultrapassa os 100 clientes, Gelson Fernando Quiala trabalha exclusivamente há um ano com a Royal Seguros. Conta que, há três anos, perdeu muitos clientes ou a favor de uma seguradora ou a favor da concorrência indicada ao cliente pela companhia. O operador diz haver maior rendimento, trabalhando por diversas empresas, mas destaca ser “física e mentalmente cansativo”.

À semelhança de muitos ‘players’ da mediação, Gelson Fernando Quiala defende o fim da venda de produtos de seguros por parte das empresas, passando essa responsabilidade para os mediadores. Ou seja, as empresas produzem os serviços e, de seguida, submetem à disposição dos mediadores, ficando as seguradoras apenas com os riscos, como “ocorre na África do Sul e demais países africanos”.

Icumo Gabriel, também mediador, responsável da empresa Cofa, corrobora da sugestão de Gelson Fernando Quiala, quanto à proposta de um novo modelo de venda de seguros. Para escapar da usurpação de clientes, adoptou a mesma estratégia do colega. A operar há mais de dois anos, o jovem tem uma carteira de clientes superior a 200 pessoas, que lhe permite uma facturação mensal de 800 mil kwanzas.