PARA EVITAR FILAS E ESTIMULAR USO DOS’ MULTICAIXAS’

Bancos recusam levantamentos abaixo de 40 mil kwanzas

BANCA. A medida ainda não é aplicada por todos os operadores bancários, apesar de ser recomendada desde o surgimento das caixas de pagamento automático.

Estão limitados, desde Agosto do ano passado, os levantamentos de valores inferiores a 40 mil kwanzas em várias balcões de alguns bancos comerciais, apurou o VALOR de fontes bancárias.

Segundo soube este jornal, a medida existe desde que o serviço ‘multicaixa’ está disponível nos bancos, mas só no segundo semestre do ano passado passou a ser aplicada. De lá para cá, os clientes com contas bancárias e que pretendam levantar montantes abaixo de 40 mil kwanzas são encaminhados para as caixas de pagamento automático (ATM, na sigla em inglês).

A Associação Angolana de Bancos (ABANC) diz que a medida vem ajudar os clientes e os bancos a evitarem “desgastes nas operações bancárias”, além de incentivar o uso de cartões de pagamento eletrónico. “Essa actuação só poupa os clientes de vários ‘castigos’. O cliente evita perder horas na fila de um banco, para apenas levantar, em muitos casos, 10 mil kwanzas. Por que perder tempo na fila, se tenho os multicaixas em tudo que é canto?”, ironizou Amílcar Silva, presidente da ABANC.

O ‘patrão’ dos bancários angolanos aponta também a segurança e o custo com a emissão de cheques como factores que podem justificar a medida. “Imagine que todos os clientes de um banco vão ao mesmo tempo à agência, num dia, para fazer levantamentos. É muito cheque a ser emitido. E os cheques são caros”, concluiu Amílcar Silva.

Uma ronda efectuada em quatro dos principais bancos comerciais, nomeadamente o BAI, o Millennium Angola, o BFA e o banco BIC, confirma essa restrição nos levantamentos de depósitos, nos dois primeiros.

 

O CASO DE ALGUNS BANCOS

O BAI já aplicou a medida e afixou, em várias das suas agências, uma tela projectora com a informação “levantamento abaixo de 40 mil só no multicaixa”. No Millennium Angola, as pessoas são obrigadas a ter um cartão electrónico para levantar somas inferiores a 40 mil kwanzas, no mutlicaixa. Este é, aliás, o banco em que a medida é rigorosamente observada, como constatou a reportagem do VE.

“Não consigo levantar o meu dinheiro, porque o banco diz que tenho de ir ao multicaixa. Mas, se já estou aqui [na agência], devo ir mais a um multicaixa?”, queixou-se Avelino Joaquim, cliente do Millennium Angola, ouvido por este jornal, à entrada de uma dependência do banco.

Sobre este caso o economista Rui Malaquias considera que os bancos “devem continuar a divulgar os benefícios dos cartões electrónicos”, no pagamento de serviços diversos. “As pessoas não têm multicaixa, porque alegam que, com os cartões, vão gastar com facilidade os seus recursos. O problema não é do banco, é das pessoas”, aponta Malaquias, co-autor de um manual sobre ‘Contabilidade’.

Contactada pelo VALOR, há algumas semanas, a administração do Banco Millennium Angola avançou que, dado o processo de fusão em que se encontrava, não seria possível responder a essas questões.

No BFA e no BIC o cenário é diferente. Nestes dois bancos, os clientes que solicitam levantamentos abaixo de 40 mil kwanzas podem fazê-lo através de ‘cheques avulsos’, uma prática comum em vários bancos.

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