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No mercado angolano

Grupo português factura 70 milhões de euros

INVESTIMENTO. Companhia passa a ser o distribuidor oficial dos camiões Dongfeng, de origem chinesa, e já vendeu duas unidades no dia da apresentação pública da marca. Apesar de antever um ano difícil, perspectiva comercializar 50 unidades até Dezembro.

Grupo português factura 70 milhões de euros

O balanço provisório do Grupo Nors, uma multinacional portuguesa ligada ao sector auto, aponta para uma facturação de 70 milhões de euros em 2019. Os dados financeiros até agora contabilizados representam um aumento de 4% em relação a 2018, período em que o grupo encaixou 67 milhões de euros.

A venda de equipamentos dos carros Volvo, bem como a comercialização do próprio automóvel, são os negócios que mais contribuíram para a cifra, embora a venda da Volvo tenha registado uma queda de mais de 12% em relação ao ano anterior. Em 2018, o negócio representava entre 45 e 48% da carteira, e caiu para 37% em 2019. Apesar disso, continua a ser o produto que mais movimenta dinheiro na companhia.

Para 2020, Francisco Ramos, administrador do Grupo Nors, manifesta-se confiante no aumento da facturação, sobretudo por causa do novo acordo celebrado com a Dongfeng, o grupo empresarial chinês fabricante de camiões da marca com o mesmo nome. A parceria visa tornar a Nors na distribuidora oficial da marca em Angola.

Enquanto grupo, a Nors atribuiu o negócio de venda dos camiões Dongfeng à empresa Kinlai, uma sociedade do grupo português, que começa a operar no mercado angolano exclusivamente para o efeito. Para a instalação da Kinlai, meios de trabalhos e os custos aduaneiros, o grupo investiu 1,3 milhões de dólares.

No âmbito do acordo, já deram entrada no país 10 dos 50 camiões previstos para 2020, tendo sido vendidas duas unidades no dia da apresentação da marca ao público, na sequência da inauguração da sede da Kinlai, em Cacuaco.

Apesar da crise, Francisco Ramos perspectiva vender toda a mercadoria no presente ano. E cada veículo vai custar entre 40 e 45 milhões de kwanzas, sendo que os clientes poderão, com base numa avaliação de risco, fazer pagamentos faseados. O administrador assegura haver stock de assessórios “suficiente” para o mercado, sublinhando ser a assistência pós-venda uma das “maiores qualidades da empresa”.

No ano passado, a nível global, o Grupo Dongfeng vendeu 186 mil camiões, tendo o norte-americano Stuart Lennie, vice-presidente da entidade, considerado 2019 como um ano “revolucionário e record”. Actualmente, a Dongfeng está na 68º posição do ranking das 500 maiores companhias do mundo do sector dos transportes pesados.

Stuart Lennie justifica a posição do grupo, que considera “privilegiada”, face ao processo de fabricação dos automóveis, que, segundo o mesmo, assenta em normas de produção japonesa, além de os testes de qualidade dos veículos serem encarados “como os mais rigorosos” do sector, dado que, em muitos casos, envolve ensaios de um milhão de quilómetros.