FORBES ASSEGURA

Isabel dos Santos fora do ranking mundial de bilionários

26 Jan. 2021 Gestão

FALÊNCIA. Depois da cruzada de que se viu alvo desde que o pai, José Eduardo dos Santos, entregou o poder a João Lourenço, a ‘mulher mais rica de África’ deixou de o ser e enfrenta diferentes processos espoletados por Luanda e que congelam milhões dos seus activos em Angola, Portugal e Holanda.

Isabel dos Santos  fora do ranking  mundial de bilionários

O longo artigo da revista Forbes, que começa duvidando da possibilidade de recuperação da sua fortuna, termina com as palavras do professor de Oxford, Soares de Oliveira: “ela foi humilhada e só demonstra que nestes países autoritários o poder económico deriva do poder político e o inverso não acontece. A partir do momento em que se perde poder político, pode se ser apanhado. Está-se vulnerável em todo o mundo”.

O artigo da revista que acompanha os multibilionários pelo mundo fora conta o percurso da engenheira que ficou conhecida como a princesa de Angola e estima que cerca de 1.6 mil milhões de USD dos seus activos estejam congelados, o que a retirar aos 2.2 mil milhões USD que a revista estimava no nome de Isabel dos Santos no início de 2020, traduzem-se na queda da lista dos Africanos mais ricos do mundo em 2021, que continua a ser liderada, pelo 10º ano consecutivo, pelo nigeriano Aliko Dangote.

Os congelamentos tiveram início em Dezembro de 2019 depois de o governo de João Lourenço levantar diferentes acusações, primeiro sobre pagamentos feitos a partir da Sonangol já depois de ser exonerada da petrolífera para onde tinha sido nomeada em junho de 2016, e depois sobre a falta de pagamento de um empréstimo que serviu para a compra de acções na portuguesa Galp.

Isabel dos Santos, que mantem que as acusações que lhe são feitas pelo governo são falsas, defendeu-se dizendo que a administração da Sonangol que a substituiu declinou receber o pagamento pelo qual o Estado angolano reclama, no que seria um movimento concertado para ser parte do argumento para os processos movidos contra si.

Documentos revelados pelo Luanda Leaks atestam que o marido de Isabel dos Santos, Sindika Dokolo (que faleceu, entretanto, num acidente de mergulho) pagou desde 2006 apenas 15 milhões de USD pelo empréstimo em que a petrolífera reclama mais 75 milhões. No entanto, a acção movida pelo Estado reclama mais de 1.1 mil milhões em perdas que diz causadas pelo casal e levou ao congelamento de contas, confisco de acções e activos estimados em mais de 300 milhões em Angola. Em Portugal a angolana viu congeladas contas, nacionalizada a Efacec (que vale cerca de 225 milhões) e congeladas a suas acções no valor de cerca de 500 milhões na Nos, empresa de telecomunicações, sendo que a que fundou em Angola, a Unitel e cuja participação de 25% também está congelada e nas mãos do governo, processou Isabel dos Santos em Londres reclamando 430 milhões de USD. Na Holanda o tribunal congelou activos da Exem Energy que detém a participação na Galp, que é estimada em cerca de 500 milhões de USD.  

O professor Soares de Oliveira aponta o contraste evidente: “alguns dos maiores bandidos parecem ter feito um acordo de cavalheiros com o presidente angolano Lourenço e estão a ser deixados em paz”.

A queda da ex-mulher mais rica de África, acelerada e incontestavelmente destrutiva continua a motivar manchetes dos títulos de especialidade um pouco por todo o mundo.

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