AFIRMA CEO DA EMPRESA PENTTINALI, HÉLIO PEREIRA

“Não é normal as operadoras subirem preços duas ou três vezes”

COMUNICAÇÕES. Empresário critica a volatilidade de preços praticados pelas operadoras. E alerta que isso traz uma internet pouco atractiva para toda a gente.

“Não é normal as operadoras subirem preços duas ou três vezes”

O CEO da empresa Penttinali, Hélio Pereira, considera “não ser normal” que as operadoras de comunicações subam os preços duas ou três vezes, em apenas um ano, principalmente num contexto de “vulnerabilidade” por causa da covid-19.

Num evento online, o especialista criticou a lei de partilha de infra-estruturas, aprovada em 2014 e que permitira, entre outros benefícios, que os preços das telecomunicações fossem mais acessíveis, por “não se fazer” sentir” e que “não há, de todo, partilha” desde que a lei foi criada. “A lei existe e foi colocada em cima da mesa, mas falta bater na porta e obrigar. E para quem não cumprir, podem aplicar-se sanções.”

As operadoras podem partilhar estruturas como base de dados, sites, antenas, satélites, infra-estruturas rodoviárias, entre outras. Esta pode desencadear preços atractivos, produção de conteúdos e maior rapidez de pesquisa.

Hélio Pereira lembrou que, “infelizmente”, não existe um monitoramento “árduo” e “rígido” de bater na porta da operadora que não queira partilhar.  O empresário está convencido de que muitas empresas não optam pela partilha por não quererem concorrência e assim puderem praticar os preços que querem e o consumidor ser obrigado a pagar os preços praticados por elas. Dá exemplo da vizinha Namíbia, como um país que partilha infra-estruturas e que se tem beneficiado com isso. “A internet é uma coisa boa e todo o mundo tem dinheiro para pagar, até as classes mais pobres”. E lembra que, com a partilha, a internet chega a lugares “inimagináveis e com qualidade”. E que foi envolvido um consórcio das operadoras para melhorarem a internet. O que uma operadora pagaria muito, ela consegue dividir estes custos.

Angola tem actualmente 6,1 milhões de utilizadores de internet. O preço de acesso internacional do cabo submarino Wacs é, em média, 700 vezes mais elevado do que os preços praticados em África.

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