Companhia angolana assume transporte aéreo

BestFly quer estar em definitivo no mercado cabo-verdiano

A companhia aérea BestFly assume, a partir desta semana, e por um período de seis meses, a concessão do serviço público de transporte aéreo inter-ilhas em Cabo-Verde. 

BestFly quer estar em definitivo no mercado cabo-verdiano

A intenção é estabelecer-se em definitivo neste país, enquanto entidade de direito de Cabo Verde, segundo declarou, ao VALOR, Nuno Pereira, director executivo do grupo, que admite a possibilidade de renovação da concessão por mais seis meses.

Esta segunda-feira, a empresa realizou o primeiro voo que partiu de Praia para São Vicente, tendo, para esta semana, 30 voos programados. “Estamos muito felizes com este sinal de confiança que o governo de Cabo Verde deu a uma empresa privada angolana”, exulta Pereira, explicando que se tratou de uma operação montada “em tempo recorde e a título emergencial”, já que estava prevista uma falha na conectividade inter-ilhas, a partir desta segunda-feira.

Os voos entre as ilhas em Cabo Verde corriam o risco de ficar suspensos, com a TICV, única empresa que assegurava as ligações, a não disponibilizar bilhetes para qualquer destino há várias semanas.

Para Nuno Pereira, a oportunidade representa “a continuidade da estratégia de internacionalização da empresa”, iniciada em 2017, com a presença no Dubai (Emirados Árabes Unidos), e que inclui outros dois países. Em Portugal, o grupo comprou uma empresa de assistência e prossegue agora com um processo de instalação na República do Congo.

Os voos em Cabo Verde são assegurados, para já, com uma aeronave da frota angolana, que foi mobilizada “de forma emergencial” para assegurar a continuidade da conexão entre as ilhas, estando prevista a aquisição de outros dois aparelhos. “Já estamos no processo de aquisição de outras duas aeronaves para o mercado de Cabo Verde. E, quando as duas aeronaves entrarem em serviço, a de Angola regressa à base para o trabalho que fazia no país.”

BESTFLY DESMENTE NOTÍCIAS SOBRE AIRCONNECTION

A BestFly integrava o consórcio público-privado AirConnection Express que havia sido anunciado pelo Governo como o projecto que haveria de assegurar os voos domésticos, mas que nunca chegou a ser efectivado. Nuno Pereira garante que o projecto não avançou não por falta de “confiança” do Governo, mas por ser um momento “particular na história" em que o Executivo decidiu “optar por outro caminho” que foi apostar no reforço da companhia pública Taag. “Mantivemos o nosso foco e acreditamos na nossa competência, independentemente do que dizem nas redes sociais e na comunicação social do nosso país. E tenho uma crítica à comunicação social nosso país, que, ao invés de procurar a verdade, procurou a difamação”, atira.

O processo de constituição da AirConnection Express causou polémica em 2018, envolvendo até o Presidente da República. João Lourenço, em entrevista a uma televisão estrangeira, garantira que a companhia não iria avançar, chegando mesmo a chamar ao consórcio de “uma ficção”.

Nuno Pereira desmente ainda que o antigo ministro dos Transportes pertencesse à estrutura accionista da empresa, situação que tem motivado também críticas em alguns sectores de Cabo Verde, que lembram a condenação de Augusto Tomás pela justiça angolana, além de mencionarem várias outras figuras politicamente expostas e que alegadamente controlam a empresa, como o PCA do BNI, Mário Palhares, e o antigo chefe da Casa Civil  Frederico Cardoso, além do empresário Lourenço Duarte e o malogrado general João de Matos.

Sobre a alegada expulsão da BestFly do terminal aéreo militar, em Luanda, Pereira refere que “o que aconteceu foi uma reorganização da estrutura de segurança do aeroporto", que obrigou a novas exigências. "A comunicação social angolana só se foca no que é negativo”, criticar Pereira, para quem a empresa que gere “é a mais auditada e mais inspeccionada de Angola na aviação”. “Em todas as auditorias e inspecções, passámos com distinção. Somos a única empresa angolana autorizada a voar com as cinco petrolíferas que operam no país através de inspecções rigorosas que eles fazem”, garante, assumindo planos para a aquisição de dois helicópteros novos de uma fabricante italiana.