CNE
Prática prolifera-se por Luanda

Venda de banana frita pode gerar mais de 2 milhões kz aos patrões

03 Aug. 2022 (In) Formalizando

COMÉRCIO. Quem está no negócio assegura que tanto patrões como trabalhadores podem ter nele a principal fonte de receitas. Aliás, se os rendimentos dos trabalhadores começam dos 25 mil kwanzas mensais, há proprietários que, com a escala, conseguem chegar aos milhões em igual período.

Venda de banana frita pode gerar mais de 2 milhões kz aos patrões

A venda de banana frita empacotada está a ganhar cada vez mais terreno em Luanda, no conjunto das várias actividades do comércio informal. E, à semelhança de muitos pequenos negócios, a maioria esmagadora dos vendedores são jovens que justificam a opção pela escassez de oportunidades no mercado de trabalho formal.  

Com um investimento mínimo de 50 mil kwanzas mensais, cada cacho de banana é adquirido por entre 2 e 5 mil kwanzas, nos principais mercados informais da capital. E, ao fim de um mês civil, os comerciantes conseguem facturar um mínimo de 200 mil kwanzas. Nos gastos operacionais também se inclui a aquisição de bens como óleo, sal, ralador e embalagens. O conjunto não vai além dos 10 mil kwanzas.

Mas, antes da realização das despesas operacionais, os vendedores são obrigados a abrir os cordões à bolsa para alguma despesa de capital. A mais relevante é a da máquina eléctrica para as frituras que chega a custar 70 mil kwanzas. Quem não pode usa, como alternativa, os fogões caseiros de cozinha. 

Gabriel Romeu, de 24 anos, que faz o negócio por conta de outrem há mais de seis meses, garante ser a principal fonte de sustento da família. Romeu calcula a receita diária entre 10 e 15 mil kwanzas, consoante a variação da procura. A soma é entregue à senhoria, a proprietária do negócio, que dá como compensação ao trabalhador um dia na semana. Há, entretanto, vendedores que são pagos ao fim de cada mês, com os salários a variarem de 25 a 30 mil kwanzas.

Para os proprietários e como em qualquer venda, os resultados são medidos em função da escala do negócio. Quem emprega 10 trabalhadores, por exemplo, chega a facturar 100 mil kwanzas diários. Isto significa que as receitas mensais, nestes casos, podem ultrapassar, à vontade, os 2 milhões de kwanzas.

FUGA E FISCAIS ENTRE OS RISCOS

A fuga com o produto por parte do vendedor ambulante é dos principais riscos para quem investe neste negócio. Mária Konte, que conta com dois vendedores, afirma que, ao longo dos dois anos em que frita banana, já perdeu os produtos uma vez, quando uma jovem levou o negócio de mais de 10 mil kwanzas e não mais voltou. Por isso, agora opta por trabalhar apenas com pessoas conhecidas ou indicadas por conhecidos. “A melhor forma de ter segurança neste negócio é a pessoa que vende ser conhecida; deve conhecer-se a casa e a família”, alerta.

Outro risco associado ao negócio são os fiscais que, em muitos casos, levam os produtos, visto que a comercialização é feita, em muitos casos, em locais proibidos à venda ambulante. Além disso, muitos destes vendedores não estão legalizados para a actividade ambulante.

Segundo relatos de vendedores e proprietários, a venda é feita maioritariamente por rapazes, porque os proprietários entendem que são os que melhores resultados apresentam, enquanto as senhoras apresentam sempre queixas. “Elas param muito, mas os rapazes são mais dinâmicos e acabam por vender mais”, assegura Maria Konte.