GRAVAÇÕES E vídeos

Isabel dos Santos apresenta novas provas de “conspiração” no Tribunal de Londres

31 Mar. 2021 Valor Económico Breves
Isabel dos Santos apresenta novas provas de “conspiração” no Tribunal de Londres

Os representantes de Isabel dos Santos apresentaram, ao Tribunal Superior de Londres, provas que alegadamente revelam ter havido “uma conspiração de grande alcance do governo do Presidente João Lourenço, para usurpar ilegalmente” os bens da empresária.

Entre as provas citadas pelo jornal inglês ‘Financial Times’, que considera as novas revelações de Isabel do Santos como uma “retaliação significativa”, estão incluídas gravações de áudio e vídeo que mostram como juízes, procuradores e outros agentes do Estado terão recebido ordens para lançar uma “campanha política” e acções judiciais para destruir o império da primogénita de José Eduardo dos Santos.

As novas provas, segundo um comunicado da empresária, “foram apresentadas ao Tribunal Superior de Londres no âmbito de um processo em curso contra a Unitel International Holdings (UIH), detida por Isabel dos Santos, apresentado pela empresa angolana de telecomunicações Unitel, pedindo o reembolso dos empréstimos que fez à UIH em 2012 e 2013”.

Isabel dos Santos lembra que os processos judiciais foram instaurados pela Unitel em Outubro de 2020 e neles a operadora alega que a Unitel International Holdings teria incumprido com os empréstimos, pelo que pretendia que fossem considerados vencidos. A Unitel, explica a empresária, sabia, entretanto, que a UIH não podia reembolsar os empréstimos devido ao congelamento dos seus activos e os de Isabel dos Santos pelo Estado angolano. “Quando a UIH deixou claro à Unitel que os incumprimentos dos empréstimos eram o resultado de ordens de congelamento – que, acriticamente, foram obtidas com o conhecimento expresso e cooperação da Unitel – a Unitel exigiu que a UIH fornecesse todos os detalhes da alegada conspiração ao Tribunal. A UIH apresentou agora esta prova num processo ao Tribunal”, justifica.

As provas foram recolhidas e fornecidas ao Supremo Tribunal de Londres pela firma de inteligência Black Cube, escolhida pela empresária “pela experiência em descobrir conspirações, subornos e corrupção”.

As alegações ora apresentadas, de resto, sucedem-se a documentos que já tinham sido apresentados no Tribunal em Angola e que já reportavam falsidades que terão sido usadas pelo Estado angolano no processo de arresto dos bens da empresária.

Isabel dos Santos tenta provar assim que a ordem de congelamento dos seus activos e bens foi determinante para impedir que ela e a vidatel apresentassem uma oferta concorrente para a compra da participação de 25% da brasileira Oi na unitel e pagar os montantes devidos à PT Ventures, ao abrigo da indemnização determinante pelo Tribunal Arbitral de Paris. No comunicado, a empresária refere “como os ataques do Estado angolano” a si e às suas empresas “foram impulsionados não só por motivos políticos e financeiros, mas também como forma de distrair a opinião pública da corrupção e do suborno que assola o governo de Lourenço, incluindo altos funcionários e a petrolífera estatal Sonangol”. “As provas apresentadas ao Tribunal são tão condenáveis quanto perturbadoras”, insiste, deixando claro que o processo movido contra a UIH pela Unitel no Supremo Tribunal de Londres é “apenas um elemento de uma campanha “maliciosa e de longo alcance do governo angolano”.

Até ao fecho da edição, não houve qualquer reacção da parte das autoridades angolanas.

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