Filomena oliveira avalia três anos do PRODESI

Empresária defende aposta nas cooperativas de crédito

ANÁLISE. Lançado em 2018 com o objectivo de aumentar a produção e o volume de vendas das produções e fileiras prioritárias, o Prodesi tem como um dos grandes desafios as linhas de financiamento.

Empresária defende aposta nas cooperativas de crédito

A empresária Filomena Oliveira defende que a banca comercial deve “deixar de ser forçada” a conceder crédito no âmbito do programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (Prodesi) por não ter no seu ‘core business’ o crédito cooperativo, sugerindo a criação de condições para o surgimento de cooperativas de crédito.   

“É preciso criar condições necessárias para que haja mais cooperativas de crédito de responsabilidade solidária mútua, em que o foco não está no lucro, em que o crédito malparado tem taxas mínimas porque a responsabilidade é mútua entre todos os associados da cooperativa”, defende.

Falando para a Rádio Essencial por ocasião do terceiro ano de vigência do programa, Filomena Oliveira reforça que a aposta em cooperativas de créditos é uma solução testada e comprovada em realidades como a Índia, Brasil, Inglaterra e China, por exemplo. “Só para ter uma ideia, o agronegócio do Brasil está associado em 14 milhões de associações cooperativas de crédito e, durante um ano, têm um rendimento de cerca de 52 mil milhões de dólares”, compara.

A empresária denuncia alguma resistência por parte dos accionistas da banca comercial que “continua a emperrar este processo”, que já “tem legislação mas que precisa de impulso”.

Quem também sugere alteração no modelo de apoio e ou financiamento é o presidente da Associação dos Industriais de Angola (AIA), José Severino, por entender que o BNA faz o que pode porque os bancos são entidades autónomas. "Mas depois há a questão dos estudos de viabilidade e da avaliação que são processos muitos morosos", acautela.

Por sua vez, o secretário de Estado da Economia, Mário Caetano, garante que faz parte da segunda fase do Prodesi a criação de cooperativas de crédito, salientando que ainda falta alguma organização nas cooperativas.

Em termos de balanço, José Severino entende que se “vêem alguns resultados, mas longe daquilo que o país precisa”.

“Os resultados não são tantos como gostaríamos, mas há a possibilidade de vir a consolidar-se neste ano e próximo”, prevê.

Já Filomena Oliveira, apesar de dar nota positiva à iniciativa, defende que o Governo deve estar mais preocupado em criar condições de capacitar e formar as pessoas. Para a empresária, não é, por exemplo, o Ministério da Economia e Planeamento que deve executar programas para que a economia funcione. “Não podemos ter uma política de Estado em que são os ministérios que têm que executar. O Governo tem é que criar as condições necessárias e suficientes para que haja formação necessária para que Angola se possa desenvolver. Não estou a falar só de cursos superiores, mas sobretudo de cursos técnico-profissionais ou escolas comerciais e industriais que deixaram de existir no país.”

Dados avançados pelo secretário de Estado, Mário Caetano, indicam que quase 800 projectos foram aprovados no âmbito do Prodesi, em três anos. E estão avaliados em cerca de 660 mil milhões de kwanzas. E, no que às exportações diz respeito, Mário Caetano considera tímido o resultado, salientando que o cimento, a cerveja e as embalagens de vidro figuram entre os produtos mais exportados.

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