A Arte contra o esgotamento: “Ecos do Silêncio” leva ao palco a luta contra o burnout através da arte
Arte. Projecto de Fady Nakussima reúne literatura, dança e fotografia para alertar sobre os impactos do esgotamento mental corporativo e promover uma cultura de bem-estar.
A cidade de Luanda acolhe, entre os dias 23 e 27 de junho, a trilogia artística “Ecos do Silêncio”, uma iniciativa concebida por Fady Nakussima que utiliza a literatura, a dança e a fotografia como ferramentas de reflexão sobre o burnout, também conhecido como esgotamento mental corporativo. Integrada no Festival Multicultural do MAAN – Conexões, Letras e Artes, a obra nasce de uma década de pesquisa e da experiência pessoal da própria autora, que afirma ter enfrentado esta condição. O objectivo é dar voz a um problema que afecta cada vez mais profissionais, mas que continua a ser vivido em silêncio.
Segundo Fady Nakussima, o burnout é uma das crises invisíveis do mundo contemporâneo. “Muitas pessoas sofrem em silêncio, sem compreenderem o que lhes está a acontecer. A arte pode ajudar a criar espaços de reflexão e consciência sobre esta realidade”, defende. O projecto começou como uma trilogia, mas evoluiu para um conjunto mais amplo de manifestações artísticas. A componente literária apresenta as obras “Visceral” e “Vísceras”, que exploram os impactos do esgotamento mental e defendem conceitos como a Anatomia da Pausa e a Soberania Somática. Durante o evento será também lançado “Wesungi”, a expansão da obra em língua umbundu.A dança surge como uma representação física dos efeitos do stress crónico sobre o corpo humano. A performance “Wesungi: O Colapso da Gravidade” procura demonstrar como o esgotamento se manifesta através do corpo e como o movimento pode contribuir para a recuperação do equilíbrio emocional e físico.
Já a exposição fotográfica “Fragmentos de um Corpo em Pausa” propõe uma reflexão visual sobre a necessidade de desacelerar, utilizando a linguagem do corpo, das poses inspiradas no ioga e da arquitectura monumental como metáforas para o peso e a libertação do stress.Durante a entrevista concedida à Rádio Essencial, Fady Nakussima explicou que a ideia central da trilogia passa por incentivar as pessoas a recuperarem o controlo sobre o próprio corpo e sobre as suas escolhas profissionais.
“A soberania somática significa percebermos que temos o direito de decidir em que ambientes queremos trabalhar e quais as condições necessárias para preservar a nossa saúde física e mental”, afirmou.
A autora defende ainda que a dança, quando praticada de forma espontânea e livre de exigências performativas, pode desempenhar um papel importante na recuperação emocional, ajudando o indivíduo a reencontrar o seu ritmo natural e a reduzir os efeitos acumulados do stress.
Além da dimensão artística, a iniciativa pretende sensibilizar o público para a importância da pausa e da prevenção.
Para Nakussima, é fundamental que as pessoas façam uma análise da sua vida profissional, identifiquem factores que possam estar a comprometer a sua saúde e compreendam que descansar não é um luxo, mas uma necessidade. A programação arranca no dia 23 de junho com uma apresentação exclusiva dirigida a marcas e parceiros institucionais. No dia 24, o público poderá assistir à estreia oficial no Palácio de Ferro, mediante aquisição de ingresso. Já nos dias 26 e 27 de junho, o espectáculo estará em exibição no Memorial Dr. António Agostinho Neto, com entrada gratuita.
A organização convida famílias, jovens e adolescentes a participarem na experiência, que combina arte, reflexão e bem-estar, numa proposta que procura transformar o silêncio em diálogo e a exaustão em consciência colectiva.








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