“Ainda não se acredita profunda e sinceramente nos nacionais, como se devia”

Entende que o ambiente de negócios “devia estar melhor” e que, em relação ao “sector produtivo”, deveria haver um maior foco em coisas que viessem a gerar resultados mais práticos. Questiona a tendência crescente da importação do milho e coloca João Lourenço entre as referências do agronegócio no país. 

“Ainda não se acredita profunda e sinceramente nos nacionais, como se devia”
Mário Mujetes

e 0 a 10, que pontuação atribue ao ano em termos económico, no geral, e empresarial, em particular? 

Falando de nós, estamos a atravessar um momento positivo. As expectativas estão largamente atingidas. Um dos aspectos mais determinantes, principalmente no agro, foi termos abraçado o projeto Barter com a Carrinho Agro e o projecto de biocombustíveis com a ENI, bioenergia. Estes dois projectos fomentam a actividade das empresas e quem estiver ligado aos cereais com a Carrinho tem garantido os insumos. É um esforço financeiro que este ano deixamos de fazer. Quem está ligado à bioenergia tem os custos de produção custeados à medida que são concluídos, o que nos dá uma vantagem ainda maior. No domínio da imobiliária, sentiu-se uma retoma do mercado - temos alguns activos imobiliários - que culminou com a venda de dois dos nossos activos. Dos nove prédios que temos em Luanda, vendemos dois, o que permitiu um refrescamento do passivo e um melhor posicionamento com a banca nesse aspecto. 


Também têm investimentos na distribuição, tanto que adquiriram algumas lojas da Rede Nosso Super no ambito do Propriv… 

No domínio da distribuição, as coisas são consequência do crescimento das empresas. Temos uma central de distribuição logística em Luanda que vive, quase fundamentalmente, do crescimento das fazendas. O sucesso dela está muito ligado às fazendas. Se a gente produz pouco, vendemos pouco. Este ano, a fruta entrou numa fase de profundas reformas, por causa da qualidade das certificações, mas a empresa andou próximo do equilíbrio. Relativamente aos supermercados, não conseguimos ficar com nenhuma loja em Luanda. Ficámos, sim, fora de Luanda, mas fizemos um acordo temporário por cinco anos com o Grupo Carrinho. Eles têm uma maior logística, uma maior capacidade financeira. Acredito que, no prazo máximo de um ano, vão pôr essas lojas em funcionamento. 


Em relação ao Agronegócio, disse que alcançaram resultados positivos. Mas, quando olhamos para outros projectos, o que constatamos são resultados que constrastam, com o potencial do país. O que tem estado a falhar? 

Não transmiti que tivemos grandes resultados, mas grande crescimento. Em agricultura, o crescimento e os resultados, normalmente, não casam. Nos anos em que se cresce mais, os resultados minguam. Os resultados não são tão animadores quanto isso. Mas acreditamos no futuro, apostamos, arriscamos. Relativamente aos demais, não é líquido que todo o país esteja, no domínio do agro, numa situação difícil. A grande maioria está. As coisas não têm estado a sorrir. Também porque há uma série de programas que não foram implementados. Por exemplo, estávamos à espera que entrasse em vigor o Planagrão, o Planapecuária, o Planacafé. Todos esses programas estão em stand-by, talvez por restrições orçamentais e com muita lamentação. Eu próprio coordeno esses programas a nível do GTE (Grupo Técno Empresarial). Acredito que, se eles não se corporizarem, vai ser difícil dar a volta. Tentamos fazer programas mais inclusivos possíveis que permitam alavancar os pequenos e grandes. É claro que depois, quando nos deparamos com constragimentos, temos de encontrar outras soluções. A nós fez-nos derivar com o acordo com a Carrinho e com a ENI, por exemplo. Não são projectos muito rentáveis. Estamos a criar uma cultura de sobrevivência, porque se tivéssemos outros fundos a quem recorrer, se a banca tivesse mais fundos, provavelmente seguiríamos outro caminho. Mas, como não temos estes recursos facilmente à nossa mão, derivamos para isto.

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