Angola, face à crise económica e pandémica

17 Feb. 2021 Opinião

O desempenho negativo do petróleo em Angola e a pandemia da covid-19 contribuíram para os vários desequilíbrios macroeconómicos do país, que se traduziram em desafios constantes para os agentes económicos e para a banca comercial, em particular. O declínio económico acentuou-se mais no segundo semestre deste ano, com o reforço de medidas de confinamento interno e com a paralisação parcial de actividades comerciais e industriais produtivas.

Privada da injecção de recursos financeiros, públicos e privados, mobilizados para acudir à emergência, a economia angolana ressentiu-se. Os múltiplos desequilíbrios macroeconómicos a que essa realidade deu azo viriam expor os agentes económicos e a banca comercial, em particular, a constantes desafios.

Essa realidade, ilustrada por factores, como a diminuição da produção, a baixa do consumo interno e a queda das exportações, deu lugar a um declínio ainda mais acentuado da economia nacional.

Fosse a pandemia um fenómeno isolado e talvez os efeitos não tivessem sido tão drásticos. A crise pandémica surgiu na esteira de outra crise de grandes proporções, a crise da queda dos preços do petróleo declarada em 2014 e que se mantêm até ao presente. A grandeza dos efeitos negativos da crise petrolífera na economia de Angola é melhor compreendida à luz de uma simples constatação: o petróleo era, muito à frente de todos os outros, o grande recurso da economia. Deixar de contar com ele, como sempre contara, constituiu um severo abalo no desenvolvimento económico e social do país.

Pela primeira vez, uma crise petrolífera não foi passageira – como todas as outras sempre o haviam sido. Ano após ano, o Estado viu-se obrigado a recorrer às reservas líquidas e a endividar-se externamente como forma de fazer frente às consequências da crise.

Angola, rica em muitos recursos naturais, não preparou, no tempo certo, a diversificação da economia. Não acautelou o futuro, apostando no desenvolvimento do sector privado. Ficou refém do petróleo, como se se tratasse de uma riqueza de recursos inesgotáveis. O sector bancário foi um agente activo, correndo riscos mas apostando na recuperação da economia

O Banco BIC assumiu desafios até ao limite das suas capacidades, financiando projectos agro-pecuários e agro-industriais capazes de fomentar a produção nacional, no sentido de reduzir o peso das importações de bens essenciais. Apostamos na bancarização, fundamental em tempo de confinamento.

Desejamos que este contexto difícil seja o início de um novo ciclo da retoma da economia angolana, diversificada na exploração produtiva de recursos da natureza, sustentados por uma indústria transformadora significativa.

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