“Se você dá a importação de cimento ao comerciante, com certeza que ele não vai investir na indústria de cimento”
Entrevista. Presidente da Associação Industrial de Angola mostra-se preocupado com a crise do cimento e critica o facto de a importação ser “entregue” à empresa que não é produtora de cimento. Refere ainda que os outros sectores precisam de macrogestão para garantirem a autossuficiência.
Como olha para crise que o sector do cimento vive desde meados do ano passado e que foi forçado a voltar às importações, depois de alguns anos de autossuficiência?
Um dos problemas é quando uma unidade industrial pára e há a presunção de que essa indústria deve ser transferida para os cofres do Estado. Essas medidas não podem ser tomadas, ‘Malembe malembe’ (devagar, devagar). Há quanto tempo a cimenteira do Bom Jesus está parada? Por que o Igape levou tanto tempo a privatizar? Temos vindo a criticar o Igape por este comportamento, porque um activo parado é desemprego, é falta de contribuição fiscal, é falta de produção. É essa falta de visão geopolítica que o Igape nunca teve. Privatizou, mas tem garantia de que quem recebeu a fábrica vai pôr a trabalhar? Ou entendeu-se ser um instrumento meramente de fazer receita? Têm que vir ao público explicar. Tive a oportunidade de responder ao apelo do Presidente da República que, quando na sua mensagem de fim de ano, dizia “não cabe só ao Governo encontrar as soluções e as competências sociais”. A grande preocupação é que a economia tem de ser dinâmica. Apelo ao Igape para que venha dizer a quem foi entregue a unidade. Não estou a fazer presunção de que a empresa não tem capacidade, mas essa empresa tem que vir ao público mostrar que tem capacidade e, se não põe a trabalhar, tem que explicar porque não põe a trabalhar. São activos não podem andar à deriva. O Igape tem lá inspecção?
Já se passaram oito meses desde que a CIF foi privatizada e ainda não entrou em funcionamento. E os vencedores ainda não pagaram nada ao Estado, sendo que uma das empresas do consórcio que venceu o concurso saiu...
A AIA tem razão, isso não é aceitável de modo nenhum. Há grandes grupos internacionais cimenteiros, foram chamados ao concurso? É falta de transparência.
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Confirmado uso de software espião contra jornalistas e activistas em Angola