EM NOVEMBRO

Angola vai perder ainda mais milhões por défice na produção

 PETRÓLEO. OPEP fixou em 1,330 milhões de barris/dia a quota de produção para Angola, em Novembro, ou seja, mais 47 mil barris. Aumento da quota pode, entretanto, servir para aumentar as perdas potenciais que o país tem registado devido ao défice na produção petrolífera.

Angola vai perder ainda mais milhões por défice na produção

A quota de produção de Angola, à luz do acordo OPEP+, será de 1,377 milhões de barris/dia (mb/d), a partir de Novembro, contra os actuais 1,330 milhões de barris, de acordo com os dados da organização publicados na sequência da 21.ª reunião ministerial do cartel que aconteceu nesta segunda-feira.

No encontro, os membros da OPEP+ decidiram manter a política de produção, acordada na sua 10.ª Reunião Ministerial que aconteceu a 12 de Abril de 2020 e posteriormente endossada em reuniões subsequentes, incluindo a 19.ª Reunião Ministerial da OPEP e não OPEP, em 18 de Julho de 2021.

“Foi confirmado o plano de ajuste da produção e o mecanismo de ajuste da produção mensal aprovado na 19.ª Reunião Ministerial da OPEP e não OPEP e a decisão de ajustar para cima a produção global mensal em 0,4 mb/d para o mês de Novembro de 2021”, lê-se no comunicado do encontro.

Com esta decisão, o cartel frustra a pressão de países como EUA, China ou a União Europeia que, nas últimas semanas, vão apelando para o aumento imediato da produção da OPEP+, face à tendência crescente do preço do petróleo. A decisão da OPEP e parceiros, de resto, provocou um aumento considerável do preço do petróleo que, na terça-feira, foi negociado acima dos 80 dólares.

Depois de produzir 1,067 mb/d em Agosto, em Setembro Angola conseguiu inverter a tendência de défices que registava há vários meses. Produziu mais 43 mb/d, fixando a produção 1,110 mb/d.

 ANGOLA VAI PERDER MAIS MILHÕES

Face à quota a que tem direito, à luz do acordo da OPEP+, Angola registou, em Agosto, um défice de 220 mil barris/dia. Em termos de receitas brutas, o país terá perdido cerca de 15,472 milhões de dólares, considerando o preço de 70,33 dólares, que foi a média apurada pelo cartel. Com a possibilidade de produzir, em Novembro, até 1,377 mbd, Angola vai aumentar o défice que tem registado, nas receitas brutas, pela incapacidade de produzir a quota a que tem direito.

O acordo em vigor iniciou em Abril de 2020 e Angola iniciou a dar sinais de que aproveitaria melhor a eventual subida resultante do corte na produção. Foi a primeira vez que Angola iniciou um acordo semelhante, indicando que produziria no limite da quota.

Mas, na verdade, acabou por produziu acima da quota que lhe foi atribuída, tendo recebido, inclusive, moratória no sentido de reduzir a produção. No entanto, passou a registar défice em Outubro de 2020 e, desde então, a produção esteve sempre abaixo da quota com tendência de crescimento do ‘gap’.

O primeiro acordo neste figurino foi alcançado em Dezembro de 2016 e entrou em vigor em Janeiro de 2017, tendo-se estendido até ao final do mesmo ano. Angola tinha a ‘obrigação’ de produzir apenas 1,673 mbd. No entanto, a média diária de produção neste ano foi de 1,634 mbd, cerca de 39 mil barris abaixo da quota. 

 

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