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POR CONTA DAS EMPRESAS PÚBLICAS

BCI recupera apenas até 40% do crédito concedido pelo ‘Projovem’

17 Mar. 2020 (In) Formalizando

COBRANÇAS. Banco admite que a maioria dos beneficiários tem dificuldades de pagar o crédito, porque algumas instituições públicas não pagam pelos serviços prestados por esses clientes. Responsável comercial do BCI refere “aturados esforços” para negociar com os devedores e assegura que ‘Angola Investe’ corre sem morosidades.

BCI recupera apenas até 40% do crédito concedido pelo ‘Projovem’

Banco de Comércio e Indústria (BCI) recuperou apenas entre 30 e 40% dos empréstimos concedidos, no âmbito da Linha de Crédito de Apoio ao Empreendedor Jovem (Projovem), adiantou ao VALOR o coordenador comercial da entidade.

João de Brito justificou a morosidade dos reembolsos com o facto de alguns negócios não “serem engendrados de boa fé” e com os incumprimentos de muitas empresas, principalmente públicas, no pagamento dos serviços prestados pelos clientes devedores. “Notamos que o empresariado nacional trabalhava muito com o Estado e, como vimos, muitas das instituições públicas ficaram sem capacidade de resposta imediata, logo isso boicotou alguns dos nossos clientes”, lamentao coordenador do BCI, explicando que a maior dificuldade surge quando as Instituições públicas pagam em ordem de saque. “Eles [devedores] aparecem com ordem de saque, temos estado ajudar, interagimos com o Ministério das Finanças de modo a desbloquear estes pagamentos, para que paulatinamente melhoremos a nossa capacidade financeira.”

Insistindo que “não tem sido fácil recuperar o crédito” João de Brito precisa que os reembolsos ocorrem, após “aturadas” negociações. “Para nós, banco, se o negócio do cliente não anda, está pendurado, negociamos para aquilo que é possível ajudar, porque a saúde financeira da empresa vai reverte-se também na saúde do nosso banco”, refere. 

A Linha de Crédito de Apoio ao Empreendedor Jovem foi disponibilizada a 12 de Janeiro de 2017, num valor de quatro mil milhões de kwanzas. Um ano depois, isso em 2018, foi suspensa por falta de adjudicação de valores pelo Ministério das Finanças, conforme justificou, na altura, Filomeno Ceitas, ex-PCA do BCI. 

Entretanto, João de Brito avançou que, do dinheiro disponibilizado, ficou por conceder uma cifra “ínfima” de entre 200 e 300 milhões de kwanzas. Quanto aos créditos concedidos no âmbito do programa ‘Angola Investe’, sem precisar números, o coordenador comercial do BCI assegurou que  os beneficiários estão a pagar as prestações, sem morosidade.