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Bill Gates e o ‘despejo’ de biliões em vacinas

12 May. 2020 Valor Económico Gestão

INVESTIMENTO. multibilionário promete contruir sete fábricas para a produção em massa de vacinas para o vírus Corona, apesar de assumir à partida que só duas vão avançar com a produção e que o investimento nas outras será desperdiçado.

Bill Gates e o ‘despejo’ de biliões em vacinas

Há mais de uma década que Bill Gates e a sua fundação nomeiam as vacinas como um dos melhores investimentos para o futuro. Em 2011, e a falar na sede Nações Unidas para os 193 estados membros da Organização Mundial da Saúde, o fundador da Microsoft, tornado filantropo, e numa altura em que a fundação Bill e Melinda Gates já investia 2 biliões de USD em bolsas para programas do sector, declarava a sua predilecção. Descrevia as vacinas como “uma tecnologia extremamente elegante, que se pode tornar barata, fácil de distribuir e que comprovadamente protege crianças de doenças”. Para enfatizar ainda comparava, “na Microsoft só podíamos sonhar com tecnologias que fossem tão poderosas e simultaneamente tão simples”.  

Passada quase uma década, mais de 10 biliões de USD investidos, e com uma pandemia mundial a ameaçar a vida de milhões de pessoas e os sistemas económicos da maioria, as palavras de Bill Gates soam a profecia, ou a macro-conspiração.

Numa entrevista ao Daily Show apresentado pelo sul-africano Trevor Noah, um sempre informal Bill Gates descrevia os novos planos de resposta à pandemia que incluem a construção de sete fábricas em simultâneo para sete farmacêuticas que estão nesta altura a desenvolver vacinas para o vírus corona. A visão da sua fundação é a de que com a preparação de sete estruturas, que simultaneamente ganhem capacidade de testagem e produção, perde-se menos tempo, apesar dos biliões de USD desperdiçados porque só duas das fábricas com melhor resposta vão de facto avançar para produção.

Gates é peremptório, numa altura em que meses de pesquisa e produção significam perda de vidas e em que a economia mundial vai perder triliões de dólares, o desperdício de alguns biliões nesta fase para garantir que temos vacinas disponíveis para todos mais rápido, vale a pena. “Este nosso investimento, mais cedo do que os países e as organizações mundiais podem disponibilizar, vai acelerar o processo, porque a nossa fundação tem expertise profunda em doenças infeciosas e porque se preparou para uma epidemia”.

É nesta “preparação” tão prévia que reside a onda de acusações e de teorias da conspiração com muitos dedos apontados no sentido pernicioso do investimento em farmacêuticas que “incentiva à criação e disseminação de doenças para retornos multibilionários”.

Gates, diz que o retorno do investimento da Fundação Gates está à vista: “10 biliões de USD investidos em saúde produziram 200 biliões de USD em benefícios socio-ecónomicos em países em vias de desenvolvimento”. “Se tivéssemos investido na bolsa o mesmo valor ia render 17 biliões, segundo estatísticas produzidas pelo Copenhagen Concensus Center. 150 biliões seria o rendimento da aposta na energia e 170 biliões se investidos 10 em infra-estruturas nos países em vias de desenvolvimento, valores que segundo homem mais rico do mundo são ultrapassados pelo investimento em instituições de saúde que actuam a nível global e que são a melhor aposta para salvar vidas.

Enquanto a estrutura de financiamentos da Fundação se foca em mais de 50% no desenvolvimento global e saúde global, o portfólio de investimento do dono de uma fortuna de quase 100 biliões de USD é liderado em 52% pelo investimento em serviços financeiros com destaque para o gigantesco fundo de investimento Berkshire Hathaway co-fundado por Warren Buffett.

 

 

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