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Com lucros de mais de 202 milhões de kwanzas

BIR sai de três anos de prejuízos

RESULTADOS. Banco sediado em Malanje declarou primeiros resultados líquidos positivos quatro anos depois de ser inaugurado. Salto acima de 200% nas margens financeiras ajudou nos proveitos da entidade que acumulava perdas em três anos consecutivos.

BIR sai de três anos de prejuízos

O balanço do Banco de Investimento Rural (BIR) registou, de Janeiro a Dezembro de 2018, lucros de mais de 200 milhões de kwanzas, o primeiro resultado líquido positivo desde que a entidade abriu portas há quatro anos.

De acordo com as demonstrações financeiras, o crescimento em 245,6% das margens financeiras – de 271,2 milhões de kwanzas para 937,4 milhões – determinou o resultado líquido positivo, com destaque para o crescimento em mais de 60% no rendimento de serviços e comissões, além dos resultados da operação cambial.

O crédito e demais aplicações financeiras também ajudaram no balanço. De Janeiro a Dezembro do ano passado, a entidade, presidida por António da Silva Inácio, libertou 5,1 mil milhões de kwanzas em créditos a clientes, um salto considerável de 833,1% face aos 551,8 milhões cedidos em igual período anterior.

Destaca-se ainda a evolução do activo do banco acima dos 170%, precisamente 178,6%, ao sair dos 5,3 mil milhões de kwanzas inscritos no balanço de 31 de Dezembro de 2017 para os mais de 15 mil milhões em 2018.

O conselho fiscal, que considera a demonstrações financeiras e a alterações no capital conformes às disposições legais e estatutárias, mandou aprovar o balanço, após apreciação dos auditores independentes “Excepto no que se refere à IAS 29, relato financeiro em economias hiperinflacionárias, estão em conformidade com as normas internacionais de contabilidade e as normas internacionais de relato financeiro”, lê-se no parecer do conselho fiscal, assinado por Faustino Mpemba Madia, o presidente, e mais dois vogais, Carlos Ferraz e Nuno Barros.

O balanço foi aprovado pelo conselho fiscal, mas os auditores da Price Waterhouse Coopers (PWC) não deixaram de assinalar uma reserva. À semelhança do que vem estampado no balanço de outras instituições congéneres, a PWC considera que o banco deveria ter apresentado as demonstrações financeiras a 31 de Dezembro atendendo às premissas da IAS 29 sobre economias em hiperinflação. “Não obtivemos, contudo, informações que nos permitam quantificar com rigor os efeitos desta situação nas demonstrações financeiras do banco em 31 de Dezembro de 2018, que entendemos serem materiais”, escreveu a PWC em nota anexada às demonstrações financeiras.

Foco no agronegócio

Licenciado em 2013, o BIR assume-se como uma entidade vocacionada em dar respostas às necessidades de apoio financeiro aos agentes que operam no agronegócio. “Desse modo, vem preencher um espaço no sistema bancário angolano, enriquecendo-o com uma oferta de serviços específicos do sector agrário”, apresenta-se a administração em mensagem institucional no balanço de 2017.

Constituído por 100% capitais privados de nacionais, de 2.950 milhões de kwanzas, a estrutura accionista é composta por Lígia Maria Pinto Madaleno, dona de 39,90% das participações, João Henriques Pereira, com 30,00%, Joana D’Assunção Paixão Franco, com 16,70%, e o conhecido banqueiro Valdomiro Minoro Dondo, este que detém 7,40%.

A lista de seis accionistas fecha com Hélder Marcos Nunes da Silva, com 3,00% do capital, e Manel João Gonçalves Fonseca, também detentor de 3,00% das participações sociais do banco.