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Companhias ‘caçam’ empreendedores digitais em Angola

23 Sep. 2020 (In) Formalizando

TECNOLOGIAS. Muitos internautas angolanos estão a ser incentivados por companhias internacionais a tornarem-se empreendedores. Em alguns casos, a recompensa começa dos 100 dólares e pode chegar aos 500 mil mensais.

Companhias ‘caçam’ empreendedores digitais em Angola

Empreendedores digitais angolanos vão-se associando cada vez mais a diferentes plataformas online entre agências de turismo e renomadas lojas internacionais, como IKEA, Pingo Doce, bp, Europcar, Kiko Milano.

Os agentes das plataformas, com forte presença na internet, fazem leitura do perfil do candidato a empreendedor digital a convidar, apresentando questões relacionadas com a independência financeira, a exemplo de: “Como podes tornar-te rico nos teus tempos vagos?”

Na eventualidade de o candidato aceitar a proposta de se tornar empreendedor digital, paga pela entrada. Na plataforma norte-americana MWR Life, o valor de entrada é de 122 mil kwanzas, com acesso a cartão visa e site. Já na plataforma Cashback, também americana e com forte presença na Europa, que conta com parecerias de marcas desportivas, como a Moto GP, o AC Milan e o Inter de Milão, a jóia de entrada é de 100 dólares. No caso de o candidato não possuir cartão de pagamento internacional, sugerem que o mesmo peça a um familiar, amigo ou algum conhecido que tenha para fazer o pagamento. E todas a plataformas asseguram aos novos candidatos formação constante em marketing digital e educação financeira.

O trabalho dos empreendedores digitais consiste basicamente em colocar mais usuários de internet na plataforma. Quanto mais colocam, sobem de nível e mais recompensas ganham. Por exemplo, para uma plataforma de turismo, a cada três pessoas adicionadas o empreendedor ganha 3,3 dólares diários ou 100 dólares mensais. Ao acumular 125 pontos (representação do número de empreendedores adicionados), ganha 600 dólares mensais. O valor mais alto a ganhar é de 15 mil dólares diários, correspondente a 450 mil mensais, ao acumular 250 mil pontos.

Há, entretanto, outras plataformas em que os empreendedores ganham ou sobem de nível de acordo com o número de compra efectuada nas lojas associadas, onde são feitos altos descontos. A cada desconto, é transferida uma comissão ao empreendedor que esteve na base da inserção do comprador na plataforma.

Apesar de admitirem riscos, muitos angolanos estão a aderir a estas plataformas e lançam-se numa corrida frenética a fim de conseguir novos empreendedores ou clientes. Pela internet, procuram potenciais candidatos, marcam conversas online, enviam testemunhos e todo material possível que convença o candidato a aderir. Em outras ocasiões, adicionam os potenciais clientes em grupos de Whatsapp, onde vários angolanos que afirmam estar a construir riqueza contam experiências de sucesso.

Um empreendedor digital português, que procura por novos no mercado angolano, explicou que a sua plataforma, presente em pelo menos 49 países, está a negociar com cinco empresas angolanas no sentido de facilitarem as compras internamente, assegurando que o número de empreendedores está a subir em Angola.

Embora seja uma nova forma de empreender através do telefone ou computador, pela Europa, várias plataformas do género desenvolveram-se significativamente neste período de pandemia. Empreendedores experientes alertam, entretanto, para cuidados por razões de confiança. “Algumas funcionam como esquema Ponzi, do tipo pirâmide, em que os membros podem recrutar novos participantes para ganhar comissões, mas, quanto mis tarde se entra, mais possibilidades de perder dinheiro”, explica um empreendedor digital.

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