Por força da conjuntura económica

Grupo Cosal pode ser forçado a despedir pela primeira vez

CRISE. Grupo empresarial tem mais de 40 anos e resistiu às várias crises sem despedir. Diz-se, entretanto, atento às oportunidades de negócio e, desde o ano passado, é dono dos hotéis Terminus. Jaime Freitas, um dos accionistas, quer a parte da Sonangol no Caixa Angola.

Grupo Cosal pode ser forçado a despedir pela primeira vez

O grupo Cosal, que emprega cerca de duas mil pessoas, pode, pela primeira vez, ver-se forçado a reduzir a força de trabalho devido à crise económica e financeira, de acordo com um membro da administração da empresa com interesses na hotelaria, construção, banca e automóvel.

“Despedir por questões políticas ou económicas nunca aconteceu. Apenas por questões disciplinares e outras semelhantes”, garantiu, acrescentando ser uma miragem acreditar-se que as empresas vão cumprir a orientação do Governo que proíbe o despedimento neste período de pandemia.

“As empresas não têm condições de pagar os salários por isso não vão cumprir”, estimou, sugerindo que “o Governo crie condições para ajudar a economia e as empresas a equilibrarem-se”.

Sem avançar números, a fonte revela que dos sectores em que operam, o hoteleiro e o automóvel são os que mais estão a ressentir-se da situação económica e financeira do país. No ramo automóvel, por exemplo, “está a vender-se menos 10% do que se vendia em 2014 e o ano de 2020 é o pior de todos”.

Já em relação à hotelaria, detalha, “as unidades estão praticamente vazias. O Pululuka, por exemplo, é frequentado essencialmente por turistas, não é a gente do Lubango. E com a cerca sanitária, não há qualquer possibilidade de trabalhar”.

Dono dos Terminus há um ano

O grupo Cosal adquiriu há sensivelmente um ano os hotéis Terminus que pertenciam à Imogestim. Depois de “investir milhões na aquisição”, estima aplicar mais “algumas centenas de milhares de dólares” para deixar as unidades em pleno porque “estavam com muitos problemas técnicos e operacionais”.

“O de Ndalatando estava ligeiramente mais bem conservado. Em relação ao primeiro hotel Terminus, no Lobito, construído no tempo colonial, antes de meados do século 20, vai ser necessário investir quatro a cinco milhões de dólares para o reconstruir com a traça antiga criando um ‘boutique’ hotel que venda história, além de serviços hoteleiros”, calcula.

Direito de preferência no Caixa Angola

Por outro lado, a fonte garantiu que Jaime Freitas, um dos accionistas do grupo, vai exercer o direito de preferência na Caixa Geral Angola em relação à venda da participação social da Sonangol, correspondente a 25%. “Estamos a analisar, mas, sim, vamos exercer. Também por existir o acordo de direito de preferência, acho que não surgirão muitos interessados”, espera.

Jaime Freitas é detentor de 12% da instituição bancária, igual participação de António Mosquito, enquanto os outros 51% pertencem à Partang, SGPS, empresa detida pela portuguesa Caixa Geral de Depósitos.

No leque das empresas do Grupo Cosal, destacam-se a Cosal, Comauto e Lusolanda que operam no ramo automóvel. Já na hotelaria, é detentor do Hotel Samba, do complexo turístico Pululuka, no Lubango, e da Roça das Mangueiras, na Ilha do Mussulo, enquanto na restauração é detentor dos restaurantes Embrcad´Ouro e Mulemba, em Luanda, assim como do Mokoro, no Mussulo, e Dos Lagos, no Lubango. Tem ainda investimentos indirectos em várias empresas e sectores em Angola, Portugal e na Namíbia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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