DONOS DA MARCA ‘PRECIOSA’ PLANEAVAM EXPORTAR

Crise desencoraja investimento de 10 milhões USD em água

26 Jan. 2021 Empresas & Negócios

INDÚSTRIA. Empresário garante que não se sente “confortável” para fazer novos investimentos e teme por falência da unidade que está localizada na Huíla e produz oito mil garrafas por hora.

Crise desencoraja investimento  de 10 milhões USD  em água

Os accionistas da fábrica produtora da marca de água Preciosa, detida pelo grupo ‘O Regente’, estão com receio de concretizar um investimento de nove a 10 milhões de dólares, que visa aumentar a produção e, sequencialmente, exportar para o mercado árabe, devido ao “mau ambiente económico em Angola”.

Apesar de garantir a existência de condições financeiras e técnicas, Valdemar Ribeiro, director-geral, explica que os receios provocados pelo actual momento impossibilitam o investimento numa nova linha de produção com uma capacidade três vezes mais do que a actual (oito mil garrafas por hora). “Investir numa economia como a nossa é um grande risco, porque depois vamos produzir e endividar-nos. O BDA não está muito interessado em novos investimentos, porque sabe que há muitos riscos”, assinala, insistindo não haver “motivação nenhuma” para novos investimentos. “Preferimos estar em compasso de espera. O mercado da SADC deixou de ser atractivo, temos o mercado árabe que gosta de pagar pela qualidade. O nosso foco para a expansão seria o mercado árabe. Temos de ter um produto não só com grande qualidade mas também diversificado. Como não estamos a fazer investimentos, não vamos poder aumentar a produção nem diversificar os produtos para, em condições, entrar no mercado árabe.”, explica.

A redução do poder de compra é outro problema com que se debate a fábrica que adquire cerca de 85% da matéria-prima internamente “a preços altos em relação ao exterior”. Fruto disso, refere, foram obrigados a reduzir 60% da produção, além de suspenderem alguns contratos com os funcionários. E, face ao cenário económico, o empresário não acredita num regresso imediato dos que foram a casa, já que, nos últimos anos, a “luta tremenda” tem sido a redução das vendas, motivada pela desvalorização do kwanza.

“Quando investimos é para vender, se a população não tem poder de compra não vamos vender. Corremos o risco de falir e o banco tomar o nosso negócio”, justifica-se, questionando-se de imediato: “O que adianta produzir e diversificar mais, se depois não vendemos mesmo tendo grande qualidade?”.

Outra dor de cabeça de Valdemar Ribeiro é a taxa dos impostos “excessiva” e que assim contribui “grandemente para a redução dos clientes”, pelo que defende a “retirada urgente” do IVA na água. “A água é um bem essencial, não de luxo, diferente da cerveja ou gasosa. O Governo taxou a 14%, quem paga é o cidadão, este deixou de comprar. Não é uma ideia lógica de o Governo taxar a água com IVA de 14% nem de 5 ou 10%. A água deve ser um produto livre”, advoga.

O empresário não vê a necessidade de o país mergulhar numa crise sem precedentes, deixando os cidadãos sem poder de compra quando dispõe de “um potencial natural enorme”.

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