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DISTRIBUIDORES DA CERVEJEIRA COM AUTORIZAÇÃO PREFERENCIAL

Cuca recebe tratamento especial no estado de emergência

CONCORRÊNCIA. Distribuidores da fabricante foram autorizados a comercializar. Refriango recebeu o mesmo tratamento, mas apenas depois de reclamar. Sodiba não confirma nem nega e diz que a situação coloca em causa a associação das indústrias de bebidas.

Cuca recebe tratamento especial no estado de emergência

A acusação de que o Grupo Castel tem recebido um tratamento diferenciado por parte do Governo, face à concorrência, ganhou mais um capítulo durante o estado de emergência, período em que o Governo Provincial de Luanda autorizou os principais distribuidores da fabricante de bebidas a trabalhar, sem garantir o mesmo tratamento aos revendedores exclusivos da concorrência.

Segundo o documento a que o VALOR teve acesso, 78 empresas distribuidoras dos produtos

do Grupo Cuca BGI foram autorizadas a trabalhar entre as 8 e as 16 horas, tendo o governo justificado a decisão com a necessidade de assegurar a actividade comercial durante o período de estado de emergência. “Incumbe-nos sua excelência senhor governador de Luanda credenciar o grupo Cuca BGI e seus consignados, constantes da lista anexa, a comercializarem produtos devidamente autorizados e cumprir rigorosamente as medidas estabelecidas nos referidos diplomas de modo a não inviabilizar a actividade, enquanto prevalecer o período de estado de emergência”, lê-se no documento passado pelo gabinete provincial para o desenvolvimento económico integrado.

O VALOR contactou as concorrentes da cervejeira para saber se tiveram o mesmo tratamento e apercebeu-se que a Refriango teve a

mesma sorte, mas apenas depois de reivindicar junto das autoridades. “Inicialmente, não tínhamos recebido. Quando tivemos conhecimento, solicitámos junto da entidade a mesma autorização para os nossos clientes que nos foi concedida”, respondeu Rui Firmo, director de operações da fabricante de produtos como a cerveja Tigra, água Pura e sumos Nutri. Por sua vez, o director-geral da Sodiba (produtora da Luandina) não negou nem confirmou que a empresa tivesse igual tratamento. “Prefiro não comentar este tema que em nada abona em prol do normal funcionamento das instituições, equidade de critérios, colocando em causa a própria Aiba (Associação das Indústrias de Bebidas)”, respondeu Luís Correia.

Entretanto, não é a primeira vez que a Cuca é citada como tendo recebido tratamento diferenciando por parte do Governo, ligando-se a este suposto tratamento o facto de ter, na estrutura accionista, o braço empresarial do MPLA, a Gefi.