Desemprego e crise no sector privado disparam corrida aos recentes concursos públicos
A enorme afluência de candidatos nos primeiros dias de inscrição para os concursos públicos dos ministérios da Saúde e do Interior está a dominar o debate público. Só no primeiro dia, no concurso do Ministério do Interior, mais de 1,5 milhões de utilizadores acederam à plataforma de candidaturas. Os especialistas falam em falta de confiança no sector privado e na escassez de oportunidades no mercado de trabalho.
O elevado número de inscritos nos primeiros dias de inscrição para os concursos públicos, tanto da Saúde como do Interior, tem gerado longas discussões, com especial realce nas redes sociais. Ao Valor Económico, académicos apontam a alta taxa de desemprego e a falta de confiança no sector privado como factores que “empurram” os jovens para estes concursos.
O balanço do Ministério do Interior (MINIT), por exemplo, indica que mais de 1,5 milhões de utilizadores acederam à plataforma de candidaturas ao Concurso Público de Ingresso Externo do MINIT. Apesar de o concurso ter a duração de 15 dias úteis, nas primeiras horas de ontem, dia do arranque, mais de 10 mil candidatos concluíram com sucesso a inscrição.
O académico Paulo Brijonev sublinha que estes concursos públicos que o Governo está a promover demonstram uma grande necessidade de emprego e que a juventude está desempregada, embora os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontem apenas para uma taxa de 24% de desemprego. Outra perspectiva do concurso público, refere Paulo Brijonev, tem a ver com as dificuldades de acesso ao portal do Ministério do Interior e de outros concursos públicos em geral.
Para o académico e sociólogo Rafael Aguiar, além da elevada taxa de desemprego, fazem ainda parte das causas para esta adesão massiva a precariedade dos empregos no sector privado e a confiança que os jovens têm nos concursos públicos realizados em vésperas de eleições gerais.
Rafael Aguiar revela que estudos por si realizados indicam que os jovens acreditam nos concursos públicos efectivados em vésperas de eleições gerais, por supostamente serem mais transparentes, visto que o partido que governa quererá dar um sinal de transparência para merecer o voto popular. Contudo, sublinha que os jovens têm em mente o impacto negativo que as empresas privadas sofreram ao longo da Covid-19; enquanto muitas empresas privadas estavam a despedir e outras não tinham capacidade para pagar salários, os funcionários da função pública, mesmo confinados, tinham os seus salários em dia.








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