pré-candidato do MPLA

Higino Carneiro desafia João Lourenço no MPLA com o dobro das assinaturas e denuncia "perseguições"

O general na reforma Higino Carneiro formalizou hoje a sua candidatura à liderança do MPLA, entregando mais de 19 mil subscrições, praticamente o dobro das 11 mil apresentadas pelo actual presidente do partido e da República, João Lourenço. Durante o acto de entrega, o candidato revelou que o expressivo volume de apoios foi alcançado apesar de uma campanha marcada por "pressões" e "perseguições" contra as suas equipas de recolha de assinaturas.

Higino Carneiro desafia João Lourenço no MPLA com o dobro das assinaturas e denuncia "perseguições"
Mário Mujetes

 O provável opositor de João Lourenço no XIX Congresso Extraordinário do partido, agendado para Dezembro, relatou os diversos obstáculos enfrentados pelas suas equipas no terreno. Higino Carneiro fez questão de enaltecer a coragem dos militantes que se mobilizaram em províncias como Luanda, Cuanza-Sul, Huíla, Benguela, Zaire e Bié.  
“Houve pressões, houve perseguições. Numa altura em que as pessoas estavam a trazer as subscrições e quando houve este ou aquele conflito, foi necessário chamar a Polícia para intervir, de modo a proteger as pessoas que estiveram envolvidas nesta campanha”, denunciou o general. 
Higino Carneiro declarou, durante o acto de entrega do processo que formalizou a sua candidatura, que a subcomissão é soberana, portanto, acredita que a mesma trabalhará respeitando a transparência, a legalidade e aquilo que estabelecem os estatutos e o regulamento eleitoral do MPLA. 
«A subcomissão de candidatura é soberana, portanto, acreditamos que trabalhará respeitando os estatutos e o regulamento eleitoral» 
Numa empreitada que durou cerca de 30 dias, o pré-candidato apresentou um total de 19 mil assinaturas recolhidas das 21 províncias do País, feito revelador, segundo Higino Carneiro, da sua militância e o querer dos militantes do MPLA. 
Para Higino Carneiro, o partido é constituído por militantes e estes têm quereres e todos devem saber respeitar essas vontades, uma vez que diante dos estatutos do partido todos os membros são iguais.  
Sobre a notificação da PGR em que é acusado pelos crimes de peculato e branqueamento de capitais, o general admite estar surpreendido ao ter contacto com o documento e aguarda pelo desenvolvimento do processo que acredita não comprometer a sua candidatura.