Mais de 60% dos hotéis que pertenciam a São Vicente em Luanda estão inutilizados
Os hotéis de Luanda da outrora ‘promissora’ rede IU e IKA, que pertenciam ao empresário Carlos São Vicente, enfrentam actualmente um cenário de quase total abandono. Uma ronda efectuada pelo jornal Valor Económico às diversas infra-estruturas revela que a esmagadora maioria destes empreendimentos falha por completo a sua vocação original, restando apenas um edifício a funcionar para o fim com que foi projectado.

Cálculos feitos pelo Valor Económico indicam que do investimento em Luanda 62,5% dos hotéis da rede estão completamente inutilizados. Num universo de oito edifícios espalhados por Luanda, apenas três se encontram em uso. O expoente máximo deste desperdício localiza-se em Viana. Ali, os três edifícios construídos estão hoje entregues à degradação, numa imagem de abandono onde o capim cresce desordenadamente às portas das instalações e parece ser o único ‘cliente’ a fazer check-in.
Concebidas pelo empresário Carlos São Vicente, genro do primeiro Presidente de Angola, as infra-estruturas tinham como objectivo oferecer uma acomodação moderna e funcional de três estrelas.
Os hotéis, que foram arrestados para a esfera do Estado no âmbito do programa de combate à corrupção, após a condenação do empresário a nove anos de prisão efectiva pelos crimes de peculato, fraude fiscal e branqueamento de capitais, tiveram destinos diferentes.
No município de Cacuaco, onde foram igualmente construídos três hotéis, um dos edifícios encontra-se desocupado, enquanto os outros dois albergam serviços dos Ministérios do Interior e da Justiça.
Embora com pouca adesão, o IKA de Talatona é o único edifício cujo destino permitiu continuar a funcionar no ramo hoteleiro. Um parque de estacionamento vazio, uma recepção sem movimentação de utentes e com pouco mobiliário é o cenário que apresenta, actualmente, este hotel de três estrelas.
Na avaliação da unidade feita pelos clientes na Internet, constam reclamações como o mau funcionamento do elevador, o deficiente acesso à rede e, ainda, problemas relacionados com a limpeza.
Na recepção, um placar com a epígrafe “tarifas de balcão” indicava: quarto de solteiro - 90 mil Kwanzas; quarto de casal - 108 mil kwanzas; e suíte - 150 mil kwanzas.
No local, o Valor Económico apurou que o hotel tinha a maior parte dos quartos disponíveis, assim como os serviços de restauração e lavandaria operacionais para os clientes que desejassem afluir ao espaço. Ainda em Talatona, a mesma sorte não teve o Hotel IU, Torre A, cujo concurso de adjudicação foi vencido pela empresa Umbiserv Lda, no âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV) 2023-2026, encabeçado pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE).
Recentemente, o Estado contratou serviços de segurança para as unidades hoteleiras desta rede integradas no Programa de Privatizações 2023-2026, com o objectivo de travar a sua vandalização.
O IGAPE confirmou a este jornal que os hotéis das redes IU e IKA de Luanda tiveram destinos diferenciados, sendo muitos deles alocados aos ministérios do Interior, da Justiça e do Turismo.









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