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Mercado avaliado em 400 milhões ?de dólares cai para metade

CRISE. O mercado de publicidade atravessa `maus tempos´, na sequência ?da crise financeira. Os anunciantes cortaram os orçamentos, provocando uma queda na ordem dos 50% do valor global do mercado.

O volume de negócio da publicidade caiu de 400 milhões de dólares para cerca de metade, nos últimos dois anos. O mercado está em `queda livre´, como consequência da crise financeira que assola a economia angolana e os orçamentos para a publicidade são dos primeiros a sentir cortes, segundo o presidente da Associação Angolana de Empresas de Publicidade e Marketing (AAEPM), José Guerreiro. No entanto, o líder associativo rejeitou falar sobre possíveis despedimentos no sector.

As empresas, em particular os grandes anunciantes, estão a cortar os orçamentos virados à publicidade. “Não tendo os empresários acesso às divisas para a importação de bens, que possam comercializar, com certeza que não efectuam grandes investimentos em publicidade, pois não só verão diminuídos os seus produtos em stock, como constatarão que os consumidores têm dificuldades financeiras em aceder aos seus produtos e serviços”, explica José Guerreiro.

Do ponto de vista de tendência do mercado, segundo o presidente da AAEPM, a melhoria do negócio depende da recuperação da situação macroeconómica. “Não temos dúvidas de que o nosso mercado continuará a desenvolver-se. E as políticas de marketing e comunicação serão fundamentais para alavancar as transformações positivas que esperamos.”

Nem o custo médio de produção de um anúncio publicitário (imprensa, áudio ou audiovisual) nem a margem percentual de mercado de cada veículo estão tabelados. A televisão continua a ser o meio de maior preferência dos anunciantes. A publicidade em outdoors, que aos poucos vai `roubando´ espaço aos meios tradicionais, aparece à frente da rádio, em número de inserções. As variações de custos registam-se consoante o meio que por sua vez tem custos diferenciados, vantagens e desvantagens. “Um meio pode ter custos de tabela elevados, mas o retorno de investimento para empresa anunciante, pode compensar esse esforço financeiro”, acrescentou.

O presidente da AAEPM espera que o Estado crie políticas que incentivem investimentos e, não só, no mercado publicitário. Embora a nível governamental, esteja em estudo a reformulação da legislação do sector, a associação está também a analisar formas de auto regulação. “Gostaríamos de ver mais ética, ter incentivos para continuarmos a empregar angolanos e a utilizar o nosso ‘know-how’, incluindo as mais-valias culturais que possuímos, para a valorização da mensagem publicitária que chega aos angolanos”.

Uma outra preocupação de José Guerreiro tem que ver com os recursos humanos. Praticamente, em Angola, não existem escolas, de nível médio ou superior, que administrem cursos específicos de publicidade. “Existem alguns cursos que cruzam ou complementam valências desta área, mas nada directamente ligado à publicidade e marketing, como escola ou curso integral e completo. Também aqui é necessário investir”, alerta.

Sem estabelecer ordem hierárquica, o presidente da AAEPM, José Guerreiro, afirma que os bancos, BFA, BAI, BIC, BNI e Caixa Totta, e o Estado angolano (com diferentes organismos) estão entre os maiores investidores em anúncios publicitários. A ZAP, Unitel, Movicel, Kero, Refriango e empresas de seguros também figuram no `rol dos grandes´. “Os outros anunciantes, embora importantes e necessários, ainda são residuais, quanto às verbas, quando comparados com os investimentos que estes referidos movimentam”.

Criada em Dezembro de 1999, a Associação Angolana de Empresas de Publicidade e Marketing congrega 40 agências de publicidade. Não se tratando de uma ordem profissional, a filiação à AAEPM não é obrigatória.

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