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GOVERNO VAI PAGAR 30%

Metro de Superfície arranca com modelo que ‘fragilizou’ antigo ministro dos Transportes

TRANSPORTES. Delivery payment pode ser assumido única e exclusivamente pelo Estado. É mais um grande projecto que arranca sem recurso ao BOT, apresentado inúmeras vezes pelo Presidente da República como prioridade.

Metro de Superfície arranca com modelo que ‘fragilizou’ antigo ministro dos Transportes

A parceira público- privada eleita para a construção do projecto Metro de Superfície de Luanda tem particularidades que se assemelham ao modelo que estava pensado para o consórcio aéreo Air Connection Express -Transporte Aéreo e que foi abortado pelo Presidente João Lourenço. 

“Esta companhia ou consórcio entre a companhia de bandeira TAAG e algumas empresas privadas não vai sair. Não vai acontecer.” Foi com estas palavras que o Presidente João Lourenço anunciou, em uma entrevista a Euronews, a ‘queda’ da operação, fragilizando o então ministro dos Transportes, Augusto Tomás. 

As razões do posicionamento do Presidente da República nunca foram oficialmente esclarecidas mas sabe-se que em causa estavam suspeitas de que os privados usariam a Taag como rampa de lançamento do projecto. Segundo as suspeitas levantadas, o pagamento da totalidade da quota-parte da companhia aérea nacional seria usado como ‘delivery payment’ da compra das aeronaves. 

Entretanto, o mesmo modelo é agora replicado para dinamizar o projecto público-privado para a construção do Metro de Superfície de Luanda, cujo acordo foi assinado na semana passada com a empresa alemã Siemens Mobility. Segundo consta, o Governo responsabiliza-se por 30% do projecto e os privados interessados pelos outros 70%, estando o projecto avaliado em cerca de três mil milhões de dólares. 

Contas feitas, o Governo deve investir cerca de 900 milhões de dólares, valor que também corresponde ao que se deve pagar como delivery payment do projecto. Por isso, várias vozes acreditam que o Governo pagará na totalidade a sua quota-parte para viabilizar o processo até porque ainda não se conhecem os privados envolvidos. “Os nossos governantes não podem continuara pensar que somos todos distraídos. O Governo vai endividar-se para fazer este pagamento inicial e talvez até venha a pagar a totalidade para depois distribuir aos privados que são desconhecidos, contrariamente ao que estava a acontecer com o projecto da aviação quem eram todos conhecidos”, argumentou um dos empresários que fazia parte do consórcio.

O modelo escolhido para a construção do metro também é contrário ao BOT (Build, Operate and Transfer)), inúmeras vezes apresentado pelo Presidente da República como prioridade para os grandes projectos por dispensar esforço financeiro por parte do Estado.  O memorando de entendimento para a construção do Metro de Superfície de Luanda foi assinado com a empresa alemã, que vai começar as obras ainda este ano. 

A infra-estrutura vai cobrir os eixos principais de Luanda, isto é, do Porto de Luanda a Cacuaco, Avenida Fidel Castro Ruz-Benfica, Porto de Luanda-Largo da Independência e Cidade do Kilamba-1.º de Maio.