Mudam a vida e as empresas a pensar no turismo do futuro

Milionários à conquista do espaço

07 Jul. 2021 Emídio Fernando Gestão

Turismo. É a nova moda de quem tem muito dinheiro: viajar para o espaço. Três multimilionários desafiam as empresas já estabelecidas na indústria espacial. Jeff Bezos, Richard Branson e Elon Musk apostam em desenvolver o turismo espacial, uma indústria já avaliada em um bilião de dólares.

Milionários à conquista do espaço

A nova corrida para a conquista espacial está a ser dominada pelos multimilionários e não apenas pelas potências com interesses estratégicos. EUA, Rússia e China estão a abrir alas para a passagem de Richard Branson, Jeff Bezos e Elon Musk. E a corrida tem uma nova variável: são os próprios milionários que dão o 'peito às balas' e vestem as roupas de astronauta para se atirarem ao espaço.

Além de cada um deles realizar sonhos do tempo em que ainda eram crianças, têm outro objectivo mais de acordo com as suas qualificações profissionais. Os três querem fazer do espaço o que se faz hoje nos aviões: viagens, companhias aéreas, dinheiro e muitos negócios.

O valor da indústria espacial está calculado em um bilião de dólares.

Também por isso, nos últimos anos, se intensificou a procura de 'novos mundos'. EUA, Rússia e China, com as pequenas ajudas de alguns países europeus, da Índia e do Japão, aceleraram as viagens espaciais e planetárias. Para já, apenas com o uso de computadores, robôs e muita tecnologia variada, mas sem a presença do homem. Ou seja, sem tripulação. Mas talvez seja por pouco tempo.

Os dois homens mais ricos do universo, Elon Musk e Jeff Bezos, já concorrem para ver quem chega primeiro a Marte. Ou a Vénus.

Para já, o 'tiro de partida' vai ser dado por Richard Branson, dono da companhia aérea Virgin, que se prepara para viajar – calma, ainda não é para qualquer planeta! – já na próxima semana. O início da viagem, ou seja, a descolagem está marcada para o dia 11, domingo, a bordo da nave da Virgin Galactic. Em comunicado, a empresa resume a ambição maior: "Depois de 16 anos de pesquisa, engenharia e testes, a Virgin Galactic está na vanguarda de uma nova indústria espacial comercial, que deve abrir o espaço à humanidade". Após este voo, estão previstos mais dois testes antes de a empresa iniciar, de facto, voos comerciais regulares, a partir de 2022. E não faltam clientes.

O voo vai ter direito à transmissão, em directo, via 'online'. A empresa não vai utilizar um foguete clássico, como estamos habituados a ver com a NASA, mas um avião que descola de uma pista e depois liberta, na altitude, a nave espacial. Dois pilotos tripulam o avião e quatro passageiros, entre eles Branson, viajam na nave espacial VSS Unity.

A pressa do bilionário britânico tem uma justificação: quer arrancar primeiro do que o homem mais rico do Universo, Jeff Bezos, o fundador da Amazon que 'comprou' o bilhete de passagem para 20 de Julho.

Com este voo, Jeff Bezos inaugura os voos da empresa Blue Origin que tem como objectivo liderar a indústria espacial. Para mostrar que é possível iniciar a comercialização de voos espaciais, acessíveis a toda a gente que tenha fortunas para isso, o fundador da Amazon escolheu a antiga astronauta Wally Frank que, aos 82 anos, é a convidada de honra para viajar na nave New Shepard. A partida está marcada para o deserto no Texas.

O voo automatizado será o 16.º da empresa, mas o primeiro com humanos. A novidade é que será utilizado um foguete reutilizável já a pensar nas próximas viagens. Os voos comerciais devem iniciar-se em 2022.

Esta corrida ao espaço atrai um número cada vez maior de empresários, que tentam comercializar viagens para fora do planeta nos próximos anos. Entre eles, surge o multimilionário Elon Musk, que lidera a Tesla e a SpaceX. É dos que mais investe na corrida e na investigação espacial e tem um aliado de 'peso': o também multimilionário Bill Gates.

De todos, Elon Musk é o que assume ter ambições mais arrojadas. Não se contenta em viajar para o espaço, quer chegar a Marte. Assume que só pensa em pousar na Lua e em planetas.

Abriu a SpaceX em 2002, investindo 100 milhões de dólares da sua fortuna pessoal. A empresa já lançou 70 foguetes e tem contratos com a NASA, com a Força Aérea dos EUA e com a agência espacial argentina para colocar satélites em órbita e ajudar a reabastecer a Estação Espacial Internacional. E até já lançou um carro Tesla para o espaço, a pensar, tal como vê nos filmes de ficção científica, viajar para o espaço ao ritmo de quem percorre Luanda-Benguela

No entanto, sofreu alguns reveses. Vários lançamentos resultaram em explosão dos foguetes e em cargas perdidas – incluindo o lançamento de um satélite espião das Forças Armadas dos EUA.

Quando partir para o espaço, Elon Musk realiza um desejo alimentado desde os 10 anos, na altura em que brincava à 'Guerra das Estrelas' e tinha como ídolo o 'Dr. Spock'. Para cumprir esse sonho, Musk tomou decisões com fortes impactos na vida pessoal e profissional. Para se adaptar, por exemplo, trocou de casa. Saiu de uma mansão e passou a viver num apartamento minúsculo de 35 m2, apenas com o essencial para viver.

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