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COUTINHO NOBRE MIGUEL, GESTOR DO ANO 2018 PELA DELOITTE

PCA do Banco Sol conta segredos de um gestor de sucesso

03 Dec. 2018 Nelson Rodrigues Gestão

GESTÃO. Premiado pela Deloitte com distinção de gestor do ano, Coutinho Miguel explica ao VALOR como encontrou o banco com capital “mínimo dos mínimos”, até o tornar na “quinta maior” instituição do sistema bancário nacional, com capital social de cerca de 70 milhões USD. Gestor justifica desempenho de gestão com “saber-fazer” e “estar”.

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Com uma carreira de gestão repleta de posições-chave – foi várias vezes nomeado presidente ou vice-presidente de conselho de administração de distintas empresas – Coutinho Nobre Miguel define gestão como “responsabilidade”, seguida de “humildade, modéstia” e “dedicação”.

É assim que o jurista de formação emprestado à gestão explica como deve ser a gestão e como o próprio a aplicou na sua longa carreira à frente de várias empresas dos mais variados segmentos de actividade.

Lembra que entrou na gestão em 1995, nas vestes de consultor, ou como designou, “advogado e assessor da presidente da mesa da assembleia-geral de um grupo financeiro angolano EGV”.

Mais tarde, passa a assessor do presidente do conselho de administração do mesmo grupo, para, em 1999, ser presidente do conselho de administração de uma empresa denominada Sansul, voltada para o ramo de consultoria, que viria a ser accionista principal do Banco Sol.

Em 2001, o gestor chega a vice-presidente do conselho de administração do Banco Sol para, em 2008, ser o presidente da comissão executiva. Em 2012; passa a presidente do conselho de administração.

Quando chegou à posição de PCA do Banco Sol, recorda, foi aconselhado a não aceitar o desafio, por um grupo de pessoas que consideravam a instituição financeira um “banco de pobres”.

“As pessoas disseram-nos que o banco iria morrer no dia seguinte. E que era um banco de pobres. Tive colegas que disseram `doutor Coutinho, vai comprometer a sua imagem. Não fique aqui. Foi deputado à Assembleia Nacional, é advogado…’”, lembra o gestor, para quem o “saber-fazer” e “estar” determinaram o processo. Obstinado, Coutinho Miguel não embarcou na onda de pessimismo e inicia assim uma caminhada profissional na liderança do banco que já dura há seis anos.

“Eu disse que sou pobre, nasci numa família também pobre, e, por isso, o meu compromisso é ajudar as pessoas mais carenciadas, mais desfavorecidas. Por isso vou abraçar esta causa.” Na altura, o capital social da instituição afigurava-se dos mais baixos do mercado.

“Era o banco com um capital social mínimo dos mínimos. Na altura, eram quatro milhões de dólares norte-americanos. Hoje, o Banco Sol tem um capital de cerca de 10 mil milhões de kwanzas, correspondente em dólares em cerca de 70 milhões de dólares”, regozijou-se.

Na semana passada, foi distinguido, nos prémios Sirius da Deloitte, como gestor do ano, galardão que dividiu com o empresário Lago de Carvalho, o dono da Octomar, empresa prestadora de serviço ao sector petrolífero.

Tarefa árdua

Questionado sobre o segredo para o bom desempenho à frente da gestão do banco, considerou que ainda está “no começo da jornada”. “Porque o desafio e as tarefas são árduas e estimulantes ao mesmo tempo. O sucesso é saber estar, saber ser e saber fazer bem”.

Também conta como foi possível receber tantos votos de confiança na gestão de várias empresas: “É a humildade e a modéstia. Dedicação, profissionalismo e o respeito pelo próximo”. Fora da banca, Coutinho Miguel fez parte dos órgãos de gestão de mais empresas. Já integrou, por exemplo, o conselho fiscal do Hotel Trópico, do Hotel Presidente, além de já ter assumido a presidência dos conselhos de administração da Suninvest e da ECGM, esta última ligada ao sector dos transportes.

“Como gestor, como bancário, aliás, diria que, como jurista, estou emprestado à gestão. E acho que é uma profissão muito estimulante, motivacional, criativa, que requer atitudes essenciais, de entre elas, devo ressaltar o foco, a organização, a disciplina, a integridade, a valorização do capital humano e, acima de tudo, o comprometimento com a excelência”, enumera. Para Coutinho Miguel, um gestor deve ainda ser “rigoroso, fazer uma gestão com empatia, compaixão, para motivar os quadros”.

“Mas sabe que também o que muda nas nossas vidas não são as palavras, são as atitudes”, lembrou o responsável, para quem gestão é “responsabilidade”.