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MAIS DE 22 DEVEM SER ERGUIDOS ATÉ 2025

Pólos industriais aguardam por investidores

INDUSTRIALIZAÇÃO. Pelo menos 22 pólos de desenvolvimento industrial devem ser erguidos no total sendo que 12 já estão em obras, num processo liderado pelo Ministério da Indústria e que deve durar cerca de 10 anos.

A iniciativa governamental surgiu, segundos os seus mentores, em resposta às constantes reclamações, por parte de investidores, em relação aos elevados custos operacionais que o processo de implementação de projectos industriais impõe no país.

Assim, 22 pólos de desenvolvimento industrial deverão ser erguidos em Angola, até 2025, no quadro de um processo que já está em curso.

Do total previsto, mais de 12 pólos têm as suas obras de loteamento a decorrer, havendo já alguns com fábricas em funcionamento. Por exemplo, no pólo de Catumbela, em Benguela, já funcionam dez fábricas.

Trata-se de unidades vocacionadas para o fabrico de fraldas descartáveis, emulsões/betumes, processamento de produtos alimentares, estruturas metálicas, chapas, peças subsalentes, painéis, indústria alimentar, bem como de tubos de aço e alfaias agrícolas.

No município de Negage, província do Uíge, 17 empresas começaram já a ser instaladas, no pólo industrial local. Algumas dessas unidades já funcionam, sendo de destacar as fábricas de colchão de esponja, de tijolos e a de água de mesa. Enquanto, na Caála, no Huambo, 22 duas empresas também já receberam os seus títulos de ocupação.

As obras de loteamento em vários pólos serão feitas num espaço total de 37.800 hectares, mas a primeira fase prevê infraestruturar 13.200 hectares, em 10 anos, um processo que deverá implicar um investimento de 567,3 mil milhões de kwanzas, segundo fontes oficiais.

O programa tem sido financiado, entre outras fontes, através de países asiáticos, nomeadamente a Coreia do Sul, China e Índia, sobretudo a parte da infraestruturação.

Neste processo, o Governo tem a responsabilidade de criar as infraestruturas, mas o papel de erguer as indústrias, nos seus diversos ramos, ficou reservado ao sector privado.

De todos os pólos em projecto, o de Viana é o maior com uma área de 2.700 hectares divididos em três zonas. Neste espaço, são atribuídos títulos de ocupação apenas mediante a apresentação de projectos com prazos tangíveis, findos os quais, e havendo incumprimento, o espaço passa para outro projecto com melhores probabilidades.

Alguns especialistas entendem que a construção de pólos industriais constitui uma das saídas para o início do processo de industrialização. No entanto, sublinham que o país ainda tem problemas de falta de energia e água, e que a economia ainda funciona muito à base de geradores, factores que encarecem muito os custos operacionais.

Devido a estes factores, o programa de industrialização observa também assimetrias regionais, com o litoral a registar mais industrias do que o interior do país.

A ministra da Indústria, Bernarda Martins, referiu, recentemente, que todos os pólos são prioritários, mas há aqueles que têm algum desenvolvimento e que ainda assim precisam de alguma revisão, exemplificando com o caso do pólo industrial de Viana.

O Programa de Investimento Público (PIP) deste ano prevê um investimento de 1,6 mil milhões de dólares para a criação de infraestruturas, em seis Pólos de Desenvolvimento Industrial. Estão abrangidos os pólos da Caála (Huambo), Soyo (Zaire), Negage (Uíge), Malange (Malange), Lucala (Kwanza-Norte) e Porto Amboim (Kwanza-Sul), de acordo com o secretário de Estado da Indústria, Kiala Gabriel, numa palestra na Expo-indústria, em 2015.

 

CHINESES NA DESMATAÇÃO

No princípio deste ano, o Governo anunciou, no Jornal de Angola, a abertura de um concurso público destinado a empresas chinesas para a conclusão das infraestruturas de sete pólos, nomeadamente de Menongue (Kuando Kubango), Malanje, Massangano (Kwanza-Norte), Soyo (Zaire), Caála (Huambo), Negage (Uíge) e de Porto Amboim (Kwanza Sul).

O documento define que as empresas chinesas concorrentes devem constar na lista emitida pelo governo da China e devem subcontratar empresas angolanas para a incorporação de conteúdo local num montante não inferior a 20% do valor da empreitada.

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