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João Sebastião Teta, ex-reitor da UAN

"Porque é que um expatriado congolês ou maliano, quando chega aqui prospera? Sabe fazer contas"

O antigo reitor da Universidade Agostinho Neto e ex-secretário de Estado é crítico à forma como se transmite o conhecimento, concluindo que são essas lacunas que nos fazem depender do estrangeiro. João Sebastião Teta defende mudanças de práticas e de mentalidades. Detecta falta de investimento no ensino e na valorização do professor e crítica as universidades que “se tornam mercadorias”. E classifica como “o maior crime o roubo do conhecimento”.

"Porque é que um expatriado congolês ou maliano, quando chega aqui prospera? Sabe fazer contas"

O que entende que sejam os pressupostos para um ensino de qualidade?

Esta tem sido a preocupação de todos os países, o ensino de qualidade, como garante para o desenvolvimento sustentável. O país que não tiver ensino de qualidade não tem desenvolvimento sustentável. Há três pilares fundamentais que sustentam o ensino de qualidade: ordem, disciplina e rigor. A ordem é a forma como sistematizamos os processos, por exemplo, temos uma legislação do ensino adequada às questões idiossincráticas dos nossos povos? Infelizmente, no nosso caso, temos também aspectos culturais que influenciam a nossa forma de sistematizar as coisas. Será que culturalmente somos um povo que gosta de sistematizar as coisas ou fazemos aleatoriamente? Gosto muito pegar na kizomba, porque ela não é sistematizada, cada um dança à sua forma, mas todos se entendem.

Depois seguem a disciplina e o rigor…

A disciplina é a obediência de um conjunto de regras estabelecidas num dado contexto. Nós nem sempre queremos cumprir regras. Queremos facilidades. Há dificuldade de acabar com a impunidade. O rigor é a atitude e o compromisso de superação para se atingir a perfeição. Um ser humano desenvolvido tem de ser aquele que tem de se superar cada dia, não pode sentir-se satisfeito com aquilo que tem. Ensino de qualidade é aquele que transmite valores, para que o cidadão possa ser ordenado, disciplinado e rigoroso.

Em que estágio estamos nesses pressupostos?

O professor Carnaval dizia que não existe um governo ético, sem uma sociedade ética. Às vezes, temos a tendência de apontar o dedo para os outros sem olharmos quantos estão virados para nós. Nós ainda temos problemas muito sérios em termos de ordem, sistematização do conhecimento, mas também temos problemas de transmitir. Os cidadãos em África são educados pelos pais, pela estrada, pela igreja e pelo meio. Quanto tempo é que os pais que trabalham têm para educar os filhos? Sai de manhã, leva o filho à creche ou à escola e volta de noite. Temos problemas de mentalidade que temos de mudar, mas a chave de tudo isso é o professor. Contrariamente ao que muitos defendem, quem faz o ensino é o professor. A pergunta que se põe é: entre estudar numa sala com ar condicionado e todas as condições e um professor incompetente e uma sala debaixo da árvore com um professor competente, o que escolheria? É aqui onde está o problema. É preferível debaixo de uma árvore com alguém competente ao luxo com alguém incompetente.

E qual é a realidade angolana?

Infelizmente, há alguns anos, priorizámos o cimento em vez do conhecimento. E é o problema de toda África. Por exemplo, o facto de usar Mercedes não te torna mais desenvolvido do que quem não usa. O que fabrica a bicicleta é mais desenvolvido do que quem usa o Mercedes de última gama. Temos de começar a ter conhecimento e não usar as novas tecnologias e não sabermos manter e usar e, depois, ter de trazer um cooperante para vir trabalhar. Desse jeito não se está a resolver o problema. Estamos cada vez mais dependentes. 

Ainda temos um caminho longo a percorrer?

Sim. Esse caminho não é tão longo assim, é longo em termos de mentalidade. Como dizia Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que mudar uma mentalidade. É nessa perspectiva que o caminho se torna longo. Estamos dispostos a desconstruir as nossas crenças e formas? Infelizmente, a educação tornou-se como o futebol. Não, a educação tem de ser pensada, desenvolvida, projectada e aplicada, porque tem conhecimento nas várias áreas. A União Europeia estabeleceu 16 critérios e indicadores, mas com prioridades. Contrariamente a países africanos – e o nosso não foge à regra –, o primeiro indicador para a qualidade de ensino é a Matemática, porque é a ciência capaz de formar o indivíduo para que possa analisar e ter um raciocino lógico e de forma numérica. Esta é a base de todas as ciências. Os países como os nossos, que foram colonizados em que a retórica significa ser intelectual, não descolam. Além do discurso, não há nada de concreto. E a prova é o seguinte, porque é que um expatriado, congolês ou maliano, quando chega aqui prospera? Porque sabe fazer contas.

Segundo princípio, a leitura. Quando se vai a um país desenvolvido, vê-se nos autocarros e no metro todos a ler. Hoje é verdade que há telemóveis, mas será que estamos a ler coisas com qualidade ou estamos a buscar fofocas? Quem não sabe ler e interpretar está perdido, não vale a pena. Matemática e leitura são os pressupostos para o desenvolvimento. O terceiro é a aprendizagem de língua estrangeira. Temos de interiorizar que português não fala ciência. A ciência é em inglês. Os moçambicanos estão melhores do que nós, pela proximidade com a África do Sul. A China é o país mais populoso do mundo, podia ter um ensino no qual podiam ter as suas revistas em mandarim e fazer a sua própria ciência, mas não. As universidades têm de publicar em revistas norte-americanas e ou inglesas e em inglês para serem consideradas universidades de top.

Como estamos em relação a estes três critérios?

Em termos de Matemática, estamos mal. Em leitura, o caso é catastrófico. Todo o mundo está a falar de escrever. Não! Primeiro ler e interpretar. Porque escrever, já existem mecanismos para fazer correcção do texto.

O Presidente lançou o desafio de se apostar no ensino do Inglês. Tem havido algum investimento?

Angola e África, no geral, têm muitos desafios e a covid-19 veio desestruturar muito as nossas intenções. A pandemia fugiu um pouco de muitos objectivos que tínhamos para tratar o bem maior que é a vida. Não podemos chorar pelo leite derramado. Mas é verdade que se tivéssemos apostado num ensino de qualidade, até o combate à covid-19 seria feito com conhecimento de causa. Não existindo isso, temos de recorrer permanentemente à caridade dos outros, aos ventiladores dos outros, máscaras dos outros, conhecimento e recomendações dos outros, estamos sempre dependentes dos outros. Mas a chave é o professor. Se não for valorizado, podemos ter os melhores programas, melhores salas de aulas, mas nunca chegaremos lá. Não estamos a valorizar os professores. Como professor catedrático, o meu salário é três vezes mais baixo do que de um funcionário do Ministério das Finanças.

O que pensa do surgimento de muitas instituições do ensino universitário?

Muitos países passaram por isso. O aparecimento de muitas não é mau. É um processo. Mas esse processo tende a melhorar. Infelizmente, as universidades foram feitas com a perspectiva de ganhar dinheiro. A educação tornou-se mercadoria, o Estado tem de mudar isso, mas tem de fazer avaliação. Os problemas das universidades não são administrativos.

Que avaliação faz do tempo em que foi reitor da UAN com o que é feito actualmente?

Na academia, gostamos que outros nos avaliem. Os paradigmas mudaram muito, se é para o bem ou para o mal, não sei. A partir do momento em que se acabou com o processo democrático na universidade, as coisas mudaram muito. Mas também a eleição não pode ser um objectivo em si mesmo. Às vezes comete-se o erro de sair de oito para 80, a falta de eleição não pode ser substituída por mera eleição, porque as eleições podem legitimar uma ditadura. Fui eleito reitor da UAN, tinha consciência de que se eu não trabalhasse bem naquele ano, a assembleia da UAN podia reunir-se e destituir-me. 

Voltar para o modelo da eleição não é necessariamente urgente?

É preciso, mas não eleger por eleger. É preciso que haja o senado universitário e a assembleia, onde o reitor preste contas semestral e anualmente. O reitor tem de ter um projecto de universidade. E não é só aprovado pelos académicos, mas também pelo Governo, porque será o Estado a financiar. A primeira coisa que fiz depois de eleito foi contactar as entidades máximas do país e mostrar os meus projectos. E criou-se uma comissão entre os ministros do Planeamento e Finanças e o reitor para se encontrarem mecanismos e poder se implementar o programa do reitor. Foi assim que o salário do docente saiu de 50 para os 1.500 dólares.

Conseguiu cumprir com o programa?

Sim. 90% conseguiu-se implementar. Foi a primeira vez que se começou com o processo de investigação científica, agregação pedagógica, outorga, entrega de diplomas entre outras praxes académicas. Mas tudo isso tem de ser cultivado. Nós, africanos, temos de aprender que um país se faz construindo pedra sobre pedra e não pedras sobre nada.

Sente que há algum trabalho que deixou que foi destruído ou subaproveitado?

Não quero falar sobre isso. Mas isso constata-se com alguma tristeza. Por exemplo, a nossa perspectiva era fazer a expansão do ensino superior, criar universidades, mas não administrativamente. Era um crescimento de acordo com o desenvolvimento científico. Era assim que nas províncias se começava com núcleos, depois centros e só depois é que se podia evoluir para universidade.

Já foi anunciada a extinção das regiões académicas e a criação de três novas universidades. Concorda?

Sou daqueles que acha que antes de se fazerem as coisas, e espero que se tenha feito, é preciso reflectir, pensar, conceber, projectar, implementar, verificar e avaliar. Temos de responder às perguntas: com quem vamos fazer as universidades, onde, como e com que recursos? Sobretudo hoje, porque temos outros desafios. Já não é o professor do antigamente, é um professor que sabe lidar com as novas tecnologias. São desafios tão grandes que ainda não estão definidos e que precisam de ser bem estudados.

Falou da possibilidade de fusões entre universidades, sobretudo privadas. É um caminho necessário?

Há coisas que não se reinventam. A roda já foi inventada, podemos é melhorar o seu desempenho. Se quisermos fazer parte dos ‘rankings’ das melhores universidades do mundo, temos de ir buscar indicadores. Por exemplo, fundamental é saber a quantidade de doutores que há na universidade. Quantos doutores formamos?

Teve passagem por vários países, nunca foi tentado a ficar num deles?

Fui tentado. No país onde fiz o doutoramento, fui aliciado a leccionar por lá. Modéstia à parte, nem todos têm o privilégio de serem escolhidos para dar aulas no estrangeiro. Fui o primeiro angolano doutorado em informática. Mas tive outra consciência, porque sabia que não estudei à custa dos meus pais, mas sim do Estado. Quando cheguei, tive a responsabilidade para informatizar as eleições de 1992.

Naquela altura, aliás, até se dizia que os irmãos Teta ajudaram a fazer a fraude...

A ignorância é atrevida. O pessoal tem de ir buscar a história e ler. Primeiro, o sistema informático que foi desenvolvido não era para dar resultado, era apenas tendência. E os resultados não saem do sistema informático. Em 1992, enquanto decorriam as eleições, vieram especialistas norte-americanos que declararam que se houvesse fraude, seria noutras áreas e não na informática. Há sempre desconfiança quando são os angolanos.

Mas essa desconfiança foi sobretudo por serem do MPLA...

Sou do MPLA com muito orgulho. Mas, quando se vê alguém por ser da UNITA ou apartidário, não os torna mais ou menos competentes. Tenho uma honra, dignidade e nome a defender. É um mito que se levantou.

Faz parte de um grupo que criou um sistema para rastrear a covid-19?

Sim. Aqui na Uninet concebemos o projecto Sirac (Sistema de Rastreio Automático da covid-19). Começámos a conceber quando foi decretado o estado de emergência. Foi concebido por nós e desenvolvido por uma empresa angolana privada. Foi concebido por angolanos e testado por nós e serviu para Angola e para o mundo. Por isso é que a Faculdade de Medicina entra.

Em que estágio está o sistema?

Fizemos os testes e depois apresentámos ao Governo. Recebemos as felicitações e também nos foi dito que é um instrumento importante para o Minsa e que nos vão contactar assim que possível. O importante é que temos a consciência limpa de que estamos a contribuir e não estamos de braços cruzados perante a pandemia.

Mas a urgência da pandemia não exigiria respostas urgentes para estes projectos?

Em todo o caso, deixa de ser um problema meu ou nosso. O mais importante é que apresentámos o que os angolanos com recurso próprios são capazes de fazer. Mas talvez eu tenha só a visão da árvore e o governo a visão da floresta.

Não se sente frustrado caso o sistema não seja usado?

Eu, pessoalmente, não. Mas os jovens que estiveram envolvidos nisso, muitos deles estudantes do 4.º e 5.º anos, voluntários de engenharia informática que dedicaram o seu tempo para aprender alguma coisa, claro que se sentem um pouco frustrados. Mas espero que não seja bem assim e espero que não cheguem a pensar que não vale a pena pensar e esperar que as soluções venham de fora e fiquem refastelados à espera dos seus salários.

A pandemia vem mostrar a importância do ensino à distância, um recurso nunca tão valorizado no país...

É mais uma dessas questões que me entristecem. Antes de sair do meu mandato como reitor, em 2008, criámos o primeiro centro de ensino à distância. A nossa visão era que o futuro seria do ensino à distância através das plataformas informáticas e era o terceiro melhor centro do país, com o financiamento do Banco Mundial.

Quanto é que se investiu?

Cerca de 200 mil dólares. Naquele tempo, em que o dinheiro jorrava, não era muito dinheiro, talvez por isso não se levou muito a sério. Há uma lentidão na percepção da importância das tecnologias de informação para a melhoria da qualidade de ensino, então há um atraso legislativo. Se esse corredor for também burocrático, até acordarmos, os outros já estão noutro tipo de ensino. Temos de desconstruir as formas de ensino e reaprendemos novas formas que estão nas tecnologias de informação.

E agora sente que será uma realidade?

Temos um longo caminho a percorrer. Se ensinarmos o professor, fazendo um programa de uso de ferramentas, esse professor vai estar capacitado para formar alunos. Porque hoje é a covid-19, amanhã ninguém nos garante que não vai aparecer a covid-23, é hora de sairmos de um ensino tradicional para um ensino diferente.

Entende que há essa percepção por parte do Governo?

Quando se fala do Governo parece que o Governo é de outro planeta. Tenho a certeza de que todo o membro do Governo tem sensibilidade e não pode ser diferente. A covid-19 apanhou todos de surpresa. Até os países que cantaram vitória, estão a ver uma forma de confinar outra vez. Temos de começar a ver a forma de conviver com a pandemia. Não podemos imitar a realidade dos outros. Se não tivermos um modelo, corremos o risco de estar a improvisar sempre. Não podemos dizer que alguém no mundo não tenha consciência da covid-19.

O que lhe parece a fusão dos ministérios da Tecnologia e da Comunicação Social?

Não sei. Às vezes, a visão que se tem sobre a árvore não é a mesma que se tem sobre a floresta. É um desafio muito grande. Em termos de optimização de recursos, é mais fácil juntar ou unir pessoas. Talvez o contexto obrigue a centralizar, mas talvez quando estivermos noutra realidade venha a mudar…

Enquanto secretário de Estado da Ciência e Tecnologia, liderou a criação e implementação do Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2015/2016. O que é feito desse plano?

Foi bom que, no nosso tempo, conseguimos aprovar a Política Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação, foi aprovada a Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação e o Mecanismo de Coordenação do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação. Esses instrumentos eram importantes para se ter o plano nacional, que era o mecanismo para angariação de fundos para a ciência, através de projectos credíveis e verificáveis. Não foi implementado por razões que ultrapassam os meus conhecimentos. As prioridades são tantas, que as ciências ficaram para as próximas núpcias, quando devia ser o contrário.

Quando Angola decidiu investir no satélite, houve muitas criticas sobre se era ou não um investimento prioritário…

Nós, os académicos, temos uma mentalidade cartesiana e, muitas vezes, não somos compreendidos. Só que fomos educados a duvidar, mas é pôr em dúvida para melhorar e não denegrir. Em tudo o que o homem faz tem de planificar, saber o quê, para quê, porquê e para quem e com quem? E qual é o resultado esperado. Se esses estudos foram feitos ou não, não tenho ideia. Enquanto se ia construindo o satélite, estavam a formar-se quadros, porque a aberração seria se não se formassem quadros. O que é discutível é se devia ser aquele satélite ou não, para alguém que está a iniciar. O Gana e a África do Sul têm investimentos nessa área, mas nós não. Talvez parte desse dinheiro se fosse investido na universidade para começarmos a lançar pequenos satélites, a evolução seria mais natural, mas não sou especialista nessa área.

Estamos em véspera de termos mais duas operadoras de telefonia móvel…

O problema não é do número. O que quero ter são os efeitos. Se der para 20, qual é o problema? Se for rentável e melhorar a qualidade da internet... É importante a soberania digital. Estamos a entrar para um mundo onde as fronteiras vão ser digitais, estamos distraídos. O mais importante são os homens. A pergunta é quais são as empresas que operam no nosso país?

Quando fala da soberania digital, posso entender que considera melhor que as empresas sejam de angolanos?

O meu problema não é o dono, porque até pode ser estrangeiro, mas sim o técnico. Não devemos ficar preocupados com o dinheiro, se tivermos o conhecimento, depois ficamos também com o dinheiro. Conhece algum estrangeiro que abriu uma universidade ou escola? Quanto mais limitado for o seu povo em termos de conhecimento, melhor para o estrangeiro, porque ele vai trazer até a mão-de-obra. Essa é a minha preocupação, o roubo do conhecimento. O maior crime que o país pode ter não é roubo de dinheiro, mas sim do conhecimento.

Sente-se devidamente aproveitado, enquanto engenheiro?

Fui muito bem aproveitado, porque mandaram-me para outras funções. O país espremeu-me à medida do possível. Agora, os informáticos são subaproveitados. Aposto que não existe aqui um sistema comercializável que não tenha a mão do estrangeiro. Os africanos não estão preparados para valorizar outro africano. O imediatismo é de tal ordem que queremos ir buscar o produto acabado, não temos paciência. É um atentado à soberania digital. O meu papel é fazer o que estou a fazer agora. Foi o que fiz com o Sirac.

Além do sistema das eleições de 1992, quais são os outros em que participou?

Depois das eleições, o primeiro sistema informático implementado da DEFA foi desenvolvido por nós. Antigamente, para fazer uma chamada para o exterior tinha de se ligar para a operadora. Até o sistema de comunicação e informação da Presidência também foi feito por nós.

Tem noção de quanto exportamos em divisas em prestação de serviços informáticos?

Todos os bancos de Angola têm o sistema todo feito no estrangeiro. Quando ficamos sem sistema é porque, às vezes, não se pagou o que se deve ao engenheiro e ele bloqueia o sistema.

E é possível fazer aqui?

Claro que é possível. Como não temos experiência, essas empresas deviam vir experimentar aqui para passar o ‘know-how’, porque também temos de reconhecer as nossas fraquezas.

O Ministério do Comércio decidiu não dar divisas para importar determinados produtos. Defende uma solução semelhante na contratação dos serviços informáticos?

Essa seria a primeira medida de soberania digital. Não importar nenhum sistema e mandar fazer aqui.

E não se corre o risco de termos problemas?

E agora com a comida não vamos correr riscos? Há angolanos e jovens que podem aprender. O Estado devia obrigar as tais empresas a ter parceiros nacionais, capazes de desbloquear, sem necessidade de depender da China ou do Brasil para melhorar o sistema.

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