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Despedimentos para já

Restaurantes em risco de falência

15 Apr. 2020 Empresas & Negócios

RESTAURAÇÃO. Gestores de pequenos e médios restaurantes antevêem despedimentos até depois de Maio. E não descartaram a hipótese de falência, caso não sejam apoiados financeiramente pelo Governo.  

Restaurantes   em risco de falência

Desde o ano 2014, altura do início da crise financeira, o sector da restauração enfrenta dificuldades de vária ordem. Com a pandemia da covid-19 que levou à decretação do estado de emergência, a situação agudizou-se. Os últimos dias têm sido desafiantes para os gestores de restaurantes que, de portas fechadas, decidiram fazer entregas ao domicílio. É o exemplo de Rita Camola, gestora do restaurante Junkembo. Em média, recebia 100 clientes por dia, agora, com o encerramento das portas uma semana antes da decretação do estado de emergência, prevê prejuízos na ordem dos 90%, com as entregas a recuarem para cerca de 30 diariamente.

“Um restaurante a actuar apenas online é muito difícil”, afirma a gestora, acrescentando que as entregas, além da aquisição da matéria-prima, “são gratuitas, porque servem apenas para pagar os salários”. O restaurante emprega 40 funcionários, estando somente 12 a trabalhar, face às medidas de segurança impostas pelas autoridades.

Com o futuro imediato “incerto”, Rita Camola admite corte do pessoal, caso as dificuldades se prolonguem pelo mês de Maio e não descarta a hipótese de falência. “Esperamos que haja algum apoio do Governo às pequenas e médias empresas”, augura.

Dificuldades semelhantes vive a ‘Leda Temperos’ em que o nível de entregas “reduziu drasticamente”. Se antes do estado de emergência facturava entre 200 e 300 mil kwanzas por dia, em entregas, os números quedaram para metade para os 160 mil kwanzas. “Os nossos clientes são maioritariamente do sector bancário e instituições públicas, portanto as entregas diminuíram. Teremos de fazer alguns cortes cirúrgicos temporários”, anuncia Adilson Lemos, um dos responsáveis.

Com uma margem de perda de 40%, na Dooh Ponto, a situação é um pouco “menos sufocante”, segundo o seu CEO. Helivelton Francisco admite haver “algum fluxo de vendas” com uma média de 100 entregas diárias. Todavia, calcula “perdas altíssimas”, agravadas cada vez mais pelo custo de aquisição da matéria-prima que subiu “de forma drástica”.

“Os empresários terão de ser fortes para manter o negócio, que será uma tarefa muito difícil. “Infelizmente, se a situação continuar, muitos de nós teremos de tomar decisões contra a nossa vontade, isso é, redução de custos com pessoal”, antecipa.

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