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Rússia vota hoje dar novos poderes a Putin

25 Jun. 2020 Mundo

A Rússia vota a partir de hoje até 1 de Julho o referendo que deve permitir a Vladimir Putin manter-se no poder até 2036 e alterar a Constituição com legislação mais conservadora. 

Rússia vota hoje dar novos poderes a Putin

A data formal da "consulta popular" é o dia 01 de Julho, mas as autoridades abriram as assembleias de voto hoje de manhã para evitar ajuntamentos que podem provocar a propagação da pandemia da covid-19.

Máscaras e gel desinfectante estão à disposição dos 110 milhões de eleitores em 11 fusos horários: de Moscovo a Vladivostoque, no Extremo Oriente.  

Na antiga capital, S. Petersburgo, Serguei Papov, 45 anos, votou contra a reforma.

"É tudo o que posso fazer para ficar com a minha consciência tranquila", disse o eleitor à France-Presse.

Tatiana Krolenko, eleitora de 79 anos, disse que "as emendas constitucionais são necessárias" e apoia a possibilidade de Vladimir Putin renovar os mandatos. 

Em Moscovo, um dos primeiros altos responsáveis do regime, o ex-primeiro-ministro Dmitri Medvedev votou sem ter usado máscara de protecção sanitária e luvas. 

Inicialmente o referendo esteve marcado para 22 de Abril, mas foi adiado por causa da pandemia da covid-19.

O processo legislativo de reforma da Constituição de 1993 foi iniciado por Putin em Janeiro e aprovado pelo Parlamento e prevê agora o referendo. 

Para um dos principais oposicionistas do regime, Alexey Navalny, o único objectivo do voto é conceder a presidência vitalícia a Vladimir Putin. 

"É uma violação da Constituição, um Golpe de Estado", disse Navalny, através de mensagens divulgadas nas redes sociais. 

A reforma autoriza o presidente a manter-se no Kremlin durante mais dois mandatos, até 2036, ano em que cumpre 84 anos.

Devido às medidas impostas para combater a propagação do novo coronavírus, a campanha política da oposição contra o referendo foi inexpressiva.

As manifestações previstas para Abril não se realizaram devido ao confinamento obrigatório.

A página da internet Niet, que recolhia assinaturas de cidadãos russos que se opõem às reformas e à realização do referendo, foi bloqueada pelos tribunais.

No passado domingo, Putin disse na televisão que "ainda não decidiu se vai manter-se no Kremlin depois de 2024".

Paralelamente aos mandatos, o presidente passa a reforçar poderes que permitem nomear ou afastar juízes, com mais facilidade.

A Constituição pode vir a ter um carácter mais conservador passando a incluir a inscrição "Fé em Deus" e a consagrar o casamento como uma "instituição heterossexual". 

De acordo com uma sondagem do centro público de pesquisas Vtsiom, 74% das pessoas interrogadas vão votar pelas reformas. 

Um outro estudo do mesmo centro de sondagens indica que 24% das pessoas inquiridas acreditam que se vão verificar situações de fraude eleitoral e 25% não acreditam na honestidade da consulta popular.