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A CEAST E OS DEMAIS CONSPIRADORES

17 Mar. 2020 V E Editorial

Apresentemos dez factos, de forma aleatória, relacionados com o processo de combate à corrupção, incluindo a nova conspiração descoberta pela liderança do MPLA.

Facto um: a Igreja Católica, através da Ceast e de alguns dos seus bispos influentes, em diversas ocasiões, manifestou apoio expresso à agenda de combate à corrupção. No entanto, na última semana, antes de fazer deslocar uma delegação ao Palácio de João Lourenço, fez duras críticas ao processo, adjectivando-o como selectivo e vingativo.

Facto dois: Há algumas semanas, o destacado economista Alves da Rocha, num evento em Portugal, classificou o combate à corrupção, como um “erro”, enquanto peça do programa do Governo. Com palavras diferentes, Alves da Rocha usou praticamente os mesmos argumentos apresentados agora pela Igreja Católica.

Facto três: o líder da Unita faz consistentemente as mesmas críticas. No fundo, pelos dados de que dispõe, Adalberto Costa Júnior não tem a mais pequena dúvida da selectividade da agenda.

Facto quatro: a portuguesa TVI anunciou, nos últimos dias, uma reportagem especial sobre actos de alta corrupção praticados no mandato de João Lourenço por membros do topo da governação. A reportagem foi adiada, alegadamente, pela prioridade conferida aos temas sobre o coronavírus.

Facto cinco: o Procurador-Geral da República fez pronunciamentos públicos em que revelava que várias pessoas estavam em negociações com a justiça para a devolução de bens do Estado, em troca de acordos na justiça. Hélder Pitta Grós chegou inclusivamente a incentivar a prática.

Facto seis: como se as declarações de Pitta Grós jamais tivessem existido, o Presidente da República pronunciou-se sobre um caso específico em que proibiu peremptoriamente qualquer possibilidade de negociação com o Estado.

Facto sete: figuras como os juristas Marcolino Moco, Albano Pedro e outros, com argumentos diversos, já opinaram repetidas vezes que, no essencial, se o combate à corrupção é para levar a sério, a elite do MPLA pararia toda na cadeia.

Facto oito: além de inúmeros contratos, envolvendo obras bilionárias adjudicadas sem concurso público  nos últimos dois anos, a empresa Africell, qualificada para a segunda fase do concurso para a obtenção de licença de operador nas telecomunicações, considera desistir, caso os sinais de falta de transparência na alienação dos activos da Angola Telecom se confirmem.

Facto nove: O VALOR desde a primeira semana que se vem destacando com alertas sobre as batotas do combate à corrupção e a todas as práticas lesivas ao interesse público.

Facto dez: João Lourenço, na qualidade de presidente do MPLA, como que em jeito de resposta aos nove factos atrás, respondeu, no último fim de semana, que há “resistência organizada” contra a sua intenção de combater a corrupção! É claro: é o MPLA igual a si próprio. O mesmo que promete escuta activa à crítica e responde alarmado, acossado por conspiradores que apenas ele vê. Enfim... é uma questão genética.