PETER F. MULROY – CONSULTOR FINANCEIRO

“Angola precisa de instituições financeiras não bancárias mais criativas e inovadoras”

Venceu o concurso público internacional para elaborar um estudo sobre o mercado de factoring do Projecto de Aceleração da Diversificação Económica e Criação de Emprego (Diversifica Mais), do Ministério do Planeamento, financiado pelo Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento, do Grupo Banco Mundial. No primeiro contacto que teve com o país, Peter F. Mulroy defende que Angola precisa de diversificar as suas instituições financeiras.

“Angola precisa de instituições financeiras não bancárias mais criativas e inovadoras”
Mário Mujetes

Qual é a sua primeira impressão de Angola em termos de factoring?

Tenho experiência em países cujas economias dependem de recursos naturais, como petróleo e minerais. Trabalhei no desenvolvimento do factoring na Nigéria, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, na última década — todos países com forte dependência de petróleo e gás. Entre eles, os Emirados Árabes Unidos destacam-se como os mais diversificados.

Angola também é rica em petróleo, gás e diamantes, o que me permitiu antecipar alguns dos desafios ligados à diversificação económica. A minha impressão inicial é que, devido à baixa diversificação, produtos como o factoring enfrentam dificuldades, como ocorre noutros mercados petrolíferos. Em geral, matérias-primas não são facilmente facturáveis, devido à concentração de risco em poucos compradores e em facturas de elevado valor.

 

Como o factoring pode influenciar a diversificação e impulsionar a economia?

Conversei com bancos, especialistas e advogados e identifiquei sectores com potencial, como agricultura, alimentação, bebidas, turismo e indústria transformadora. Se um fornecedor vende produtos a uma mercearia e esta paga em 30 dias, o fornecedor pode recorrer ao factoring para antecipar esse valor, desde que o comprador seja considerado confiável.

 

No país, apenas o BAI, Millennium Atlântico e Standard Bank oferecem serviços de factoring. Qual é a sua impressão dos outros bancos?

Visitei quatro bancos e constatei que o factoring está ainda numa fase inicial de desenvolvimento. Acredito que mais bancos estejam a posicionar-se para oferecer este serviço, bem como soluções de financiamento da cadeia de suprimentos.

O Banco de Desenvolvimento de Angola iniciou uma operação, mas houve atrasos. Ainda assim, há expectativas de lançamento. Outras instituições também demonstram interesse.


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