COMBUSTÍVEL EM FALTA E DÍVIDA FORA DE CONTROLO
Alerta. Apenas dois petroleiros, o SFL Puma e o Kmarin Restraint, estão atracados em Luanda. O país entrou em modo de racionamento de combustível. Mais cedo ou mais tarde, todos sentirão as consequências. Caos nas bombas. Filas intermináveis. Falta de táxis. Empresas com dificuldades de operação, face à dependência de geradores.
Apenas dois petroleiros, o SFL Puma e o Kmarin Restraint, estão atracados em Luanda. O país entrou em modo de racionamento de combustível. Mais cedo ou mais tarde, todos sentirão as consequências. Caos nas bombas. Filas intermináveis. Falta de táxis. Empresas com dificuldades de operação, face à dependência de geradores.
A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão serve de desculpa. Mas a verdade é outra: Angola não tem reservas estratégicas. Angola não tem planeamento. Cada conflito distante facilmente se transforma em caos local.
Esta realidade evidencia a excessiva dependência externa e, sequencialmente, impõe reflexão sobre outro tema igualmente crítico: a dívida pública.
A estrutura da dívida mostra mudanças preocupantes: os financiamentos bilaterais caíram de 3,660 para 2,280 mil milhões de dólares. As dívidas comerciais e os Eurobonds dispararam, chegando a 19,498 e 10,227 mil milhões de dólares.
Em 2025, o stock da dívida pública atingiu 68,163 mil milhões de dólares, um aumento de 8,8% em relação a 2024. A dívida externa cresceu para 49,568 mil milhões, puxada pela dívida governamental, que passou de 45,737 para 47,420 mil milhões.
Os números dizem que Angola está cada vez mais refém dos mercados financeiros, enquanto se afasta dos ‘parceiros’. Negociar com credores internacionais não é como negociar com amigos. A margem de manobra é mínima, assim como é mínima a possibilidade de o Governo encontrar solução para a previsível falta de combustível.
Portanto, está-se perante um mix de factos que apelam para a coragem política e planeamento estratégico, no sentido de se alcançar a autossuficiência energética e financeira. Cada nova crise internacional será traduzida em desastre interno: filas intermináveis, preços altos, desespero, falta de combustível, falta de dinheiro, falta de futuro. Faltas que expõem fragilidades estruturais. Faltas que desmontam narrativas de experiência e controlo de quem governa há mais de 50 anos. Faltas que, mais do que números, revelam um país ainda à procura de soluções para problemas que já deviam estar resolvidos há muito.







“A logística em Angola não pode ser pensada por políticos, mas...