E agora pergunto eu...
Seja bem-vindo, querido leitor a este seu espaço onde perguntar não ofende, depois de uma semana marcada a nível internacional pelo Mundial dos recordes.
Seja bem-vindo, querido leitor a este seu espaço onde perguntar não ofende, depois de uma semana marcada a nível internacional pelo Mundial dos recordes. Ainda vai pelo começo e já bateu recordes de maior número de anfitriões; este mundial tem três nações a receber jogos: México, Canadá e EUA, em 16 cidades, o maior número de jogos 104 entre 48 equipas, mais 16 do que no último torneio e segundo a FIFA, records de espectadores e recorde de valores de prémio que irá rondar os 720 milhões de dólares, 50 milhões para a equipa vencedora…Mas este Mundial talvez tenha batido outros records, os de polémica política, já que, por exemplo, é a primeira vez em que, no torneio, uma equipa vai jogar numa nação com a qual está em guerra. A seleção do Irão defronta hoje a Nova Zelândia no estádio So Fi em Los Angeles e depois vai defrontar a Bélgica. A equipa sentou arraiais no México e vai regressar logo após os jogos devido a limitações de vistos. O jogo do Irão contra o Egipto em Seattle também já está a arrastar outras polémicas porque está marcado para uma data a coincidir com uma parada dos direitos LGBT que nos dois países são criminalizados... Os nacionalismos e os outros ismos todos que trazem ao de cima estão a ser exacerbados também por outras polémicas. A BBC publicou uma reportagem que ilustrava o desdém votado pelos africanos aos Bafana Bafana por causa da xenofobia que enfrentam os africanos de outras nações em território sul africano com demasiada passividade das autoridades sul-africanas. Depois da derrota frente ao México, que tem também as suas polémicas de racismo contra jogadores e de homofobia por parte dos fãs, muitos adeptos de diferentes países de África celebraram com sombreiros a derrota dos sul-africanos mais do que a vitória do México. Os sul-africanos reagiram: “nem todos os sul-africanos são xenófobos”, e os xenófobos com “vamos continuar, não venham para a África do Sul”.
Julius Malema que tem tido uma postura de Estado ao condenar veementemente a xenofobia como a ignorância, ingratidão e cobardia que é, postou sobre uma série de peripécias que destroem o espírito de união transnacional que o Mundial promove como a recusa do visto ao árbitro somali Omar Artan, a recusa de vistos a parte das delegações da África do Sul e do Irão. A revista com cães da seleção do Uzbequistão, a revista à delegação do Senegal, em que ficaram todos descalços, e diversos atrasos devido a análises de vistos que se arrastaram, incluindo de jogadores do Mundial. Uns EUA em modo de protecionismo, marca Trump não podia ter sido um anfitrião mais complicado para escolher para o Mundial de Futebol.
Enquanto isso, entre nós as fintas, os golos, as chamadas ao VAR e as polémicas foram outros...
O VAR foi chamado pelos outros candidatos ao trono do partido que nos governa há meio século para impugnar a candidatura do chefe de Estado - e do estado de coisas - devido a alegadas várias irregularidades cometidas pela campanha do presidente que concorre à sua sucessão.
De fora do campo político, Isabel dos Santos concedeu entrevistas, incluindo à Rádio Essencial, que apanhou por tabela, para esfregar na cara dos seus detratores, a começar pelo que a acusou, ‘o golo’ da decisão do tribunal da Relação de Lisboa que não encontrou provas de que as acusações do Chefe de Estado e do estado de coisas lhe fez de que o dinheiro que usou para a compra da Efacec era público.
Com relação à empresária e ás criticas à entrevista, é preciso antes de qualquer opinião inquinada quer pela intolerância à senhora, quer pela adoração que também recebe no canto oposto, que o facto de motivar toda a comoção que motiva, os milhares de comentários online, os longos textos dos articulistas do laboratório da propaganda do governo e do partido, a defesa por parte dos internautas membros do seu fanclub, o facto é que toda essa comoção, de um lado ou de outro do campo, só faz justificar quaisquer entrevistas que lhe sejam feitas sempre que está disponível para falar - que evidentemente é quando lhe interessa. O facto de Isabel dos Santos criar toda a celeuma que cria é sintomático da sua importância dentro do jogo político nacional independentemente da opinião mais ou menos emocional ou fundada que cada um nutra sobre a senhora.
Os articulistas do sistema saíram em defesa da incompetência do chefe para comprovar as alegações que fez em entrevistas, fintando todas as palmas e vaias que a senhora ia recebendo, para comprovar a validade das acusações que, enquanto chefe de Estado, não cabia ao presidente fazer… Continua a surpreender que não se mencione o que é de princípio. Um Chefe de Estado carrega o peso do Estado que representa; daí que, por mais execrável que o chefe acredite que seja um cidadão, usar o peso do Estado que representa contra um cidadão, para fazer acusações, pior, acusações que não tenha condições de comprovar, para determinar sentenças ou atribuir rótulos, constitui sempre à partida um acto de cobardia institucional. Um acto particularmente feio para um presidente que se vangloriou tantas vezes da coragem que dizia ser precisa para o combate que dizia travar contra a corrupção.
Um presidente da República deve ser presidente de todos, inclusive daqueles de quem não gosta pessoalmente, simplesmente porque representa um Estado inteiro com opiniões naturalmente diversas, deve ser estadista, um conceito que parece sempre ter escapado ao domínio do nosso chefe sempre tão deselegante na sua postura de pugilista contra um indivíduo ou outro que habita na sua lista negra particular.
Mas é o defesa, o treinador, o atacante, o árbitro, o fiscal de linha, o VAR que temos que, por todos os golos que marcou e que poderão ser revistos no futuro, não conseguiu em dois mandatos golear a baliza que interessava... a baliza da melhoria da condição de vida da maioria dos angolanos, a baliza da pobreza, dos indicadores que têm importância para a vida dos governados… Mas é com esperança sempre, querido leitor, que marcamos aqui encontro até à próxima, na sua Rádio Essencial.




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