“Os governantes devem ajudar os investidores, não criar barreiras”
Traça um retrato duro do ambiente de negócios. Entre denúncias de invasão de terrenos, bloqueios na emissão de vistos e barreiras administrativas, líder do Grupo HS acusa falhas graves no sistema e avisa que os entraves estão a afastar investidores.
Qual é o estado do Grupo HS?
Estamos em Angola desde 2006. No início, trabalhámos como empreiteiros para obras públicas. Em 2009, criámos uma empresa chamada Mar Grandioso e começámos a fazer investimentos no sector imobiliário, investimento privado. Além de fazermos mais de 80 obras, realizámos, com fundos próprios, investimentos como os condomínios Jardim de Rosas, Austin, Orlando Residencial e Vila Kuditemo. Também o Shopping Popular, antes Ango Chin Shopping, o primeiro shopping chinês em Angola. Durante estes 20 anos, crescemos muito e também diversificámos bastante o nosso negócio. Depois do sucesso na construção e no imobiliário, fizemos várias tentativas de investimento. Primeiro, tentámos no sector das pescas; estamos também a preparar o primeiro Centro Tecnológico Automóvel e a Nova Cidade Industrial no Icolo e Bengo. Temos ainda dois projectos imobiliários. Temos muitos planos de investimento, todos com fundos próprios, mas também temos estado a enfrentar algumas dificuldades. Ainda assim, estamos focados.
Ou seja, as dificuldades não colocam em risco estes projectos?
Não! Em 2026, o primeiro projecto será mesmo o Centro Tecnológico Automóvel. Mas também a Cidade Industrial no Icolo e Bengo é muito importante para nós. Em relação ao Centro Tecnológico Automóvel, já legalizámos os terrenos e estamos na fase de licenciamento. Queríamos começar a execução no ano passado, mas tivemos alguns problemas no processo. Este ano, o foco é iniciar, porque já arranjámos vários parceiros interessados. Queremos copiar um conceito da China, no sentido de concentrar todos os negócios de automóvel num único sítio: zonas de stands multimarca, centro de manutenção, hipermercados para peças de várias marcas de automóveis. Também queremos ter uma linha de montagem de carros comerciais — já assinámos um memorando de entendimento com uma marca. Muitas outras marcas mostram interesse em ter linha de montagem. Queremos ter um centro de formação para mecânicos e técnicos.







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