JUAN SHANG, INVESTIGADOR DO KWENDA INSTITUTE E GESTOR DO SECTOR AUTOMÓVEL

“Se o Presidente João Lourenço participasse no FOCAC, o Presidente Xi Jinping este ano visitaria Angola”

Defende que o futuro do mercado automóvel angolano passa pelas marcas chinesas, mas alerta que algumas das marcas vendidas não circulam na China. Diz não acreditar que Angola beneficie de financiamento no âmbito da linha de cerca de 51 mil milhões de dólares aprovada pela China para África no âmbito do Fórum de cooperações China-África (Focac).

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Como caracteriza a aceitação das marcas chineses de automóvel no mercado angolano? 

As marcas chinesas representam cerca de 60% das vendas no continente africano, especialmente os carros de nível de média e baixa renda. Mesmo na Europa, os carros elétricos, na sua maioria, são de marcas chinesas, por isso a União Europeia quer aumentar até 45% o imposto para os carros elétricos. Podemos considerar a China como uma fábrica mundial de automóveis. Tem mão de obra, materiais, tem uma indústria avançada de montagem de carros, por isso encontramos muitas marcas chinesas em África, Europa e na América do Sul. No caso de Angola, há um outro motivo, o preço baixo. A maioria dos consumidores não tem capacidade para comprar carros caros, por isso as marcas chinesas começam a ser uma boa opção. 


Existirão entre dez e onze marcas chinesas no mercado angolano. Como avalia as vendas? 

Me parece que o futuro do mercado automóvel de Angola passa pelas marcas chinesas. Em comparação com as outras marcas, o carro chinês é diferente das outras marcas, europeias, japonesas e coreanas. No caso da GWM, por exemplo, somos uma fábrica de SUV. Na China, só montamos carro SUV e pick-up. No ano passado, a importação de SUV para a China caiu cerca de 45%. Significa que a qualidade do SUV fabricado na China começa a conquistar o consumidor chinês. Por isso, a fábrica da Mitsubishi fechou na China. A fábrica de Land Cruiser Prado também está a fechar. Não têm capacidade para concorrer com as marcas chinesas em termos de qualidade e preço baixo. Os chineses parecem-se muito com os angolanos. Gostam de carro barato, mas de tamanho grande e estas marcas não conseguiram satisfazer este desejo dos clientes chineses. Por tudo isso, acredito que as vendas dos carros chineses, no futuro, também vão aumentar muito em Angola. Hoje já é possível notar que existem menos Hyundai e Kia nas estradas. São marcas coreanas, têm boa qualidade, mas, em comparação com as marcas chinesas, não existe muita diferença. Em relação à Toyota, sim, parece existir diferenças, mas em comparação com a Hyundai e Kia, não há muita diferença. Se ver, há stands chinesas a venderem Kia e Hyundai, mas as marcas chinesas estão a vender bem porque o Kia e o Hyundai são mais caros, uma diferença de cerca de 30%. Na Costa Marfim, África do Sul, Egipto as marcas chinesas são as líderes de venda. Os clientes destes países, assim como da Nigéria, são um pouco diferentes do cliente angolano. Avaliam os carros pela qualidade e não apenas pelo preço baixo. O angolano gosta de carro barato, por isso é que em Angola encontras muitas marcas que não existem na China, mas vendem bem Angola. Não é o caso da nossa marca, GWM, que é uma marca mundial. 

Não circulam na China, mas são fabricadas na China?  

Sim. Muitas dessas marcas chinesas que estão cá na China não existem. Existem muitas marcas produzidas para os países do Terceiro Mundo. Não encontras a circular na China, só são para exportar, por isso precisamos ser criteriosos porque o luxo do carro é a segurança. Não é o interior. Não são os bancos e as Leds. 

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