OCTÁVIO PINTO, EMPRESÁRIO

"Temos tudo para ser um dos melhores países de África, mas administrativamente estamos mal"

Empresário com passagens pela liderança do associativismo em Benguela, Octávio Pinto manifesta preocupação com a situação económica do país. Denuncia a concorrência desleal de empresários e comerciantes que, segundo afirma, não pagam impostos e passaram a dominar alguns segmentos de negócio. Ao mesmo tempo, lamenta o mau funcionamento da Administração Geral Tributária (AGT), critica a banca por não facilitar o acesso ao financiamento e aponta a excessiva centralização das decisões em Luanda.

"Temos tudo para ser um dos melhores países de África, mas administrativamente estamos mal"
DR

É uma das vítimas das enchentes do Cavaco. Qual é o cenário actual, passados dois meses?

Tenho um armazém que ficou destruído à entrada de Benguela, onde guardava alguma mobília de origem portuguesa. Perdemos o armazém na totalidade. Ainda não conseguimos entrar para fazer as contas dos prejuízos. Estamos à espera que seque mais um pouco para podermos fazer a avaliação. O nível da água ultrapassou os dois metros de altura.

É uma situação por que está a passar muita gente. Mas eu, por estar mais ligado ao hotel, ainda não estou muito preocupado com esse armazém.

 O que perdeu não afecta a sua actividade empresarial?

Naturalmente que afecta. É significativo. Mas vamos fazer o quê? De um modo geral, não pesa tanto comparativamente à situação daqueles que ficaram sem nada, que perderam casas inteiras. Tenho um princípio de resiliência: não devemos chorar muito pelo leite derramado. Já vivemos situações piores no país, no tempo da guerra. Hoje estamos numa fase da vida em que já reflectimos mais e andamos com mais calma. O nosso grupo tem várias empresas, por isso não estamos excessivamente preocupados. O que me preocupa são os oportunistas que aparecem a dizer que perderam quando, na verdade, não perderam. É isso que me incomoda.


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