“A logística em Angola não pode ser pensada por políticos, mas por técnicos com experiência local e internacional”
Executivo sénior de logística e transporte para a indústria de petróleo e gás, Tunima Cahalo chama atenção para a necessidade de se direccionar os rendimentos do petróleo para o desenvolvimento sustentável que beneficie as futuras gerações. E aponta as barreiras nos sectores petrolífero e logístico, bem como os grandes desafios da integração regional.
O mundo está a assistir a uma escalada dos preços do petróleo e do gás em consequência da invasão dos Estados Unidos e de Israel ao Irão que encerrou o Estreito de Ormuz. Como o país pode aproveitar estes benefícios e quais serão os desafios?
Além da situação geopolítica, o estreito de Ormuz joga um papel fundamental na economia global, porque existem pontos estratégicos no Médio Oriente que impulsionam a economia global. E toda a vez que há conflito nessa zona, não só pelo Estreito de Ormuz, mas também pelo Canal do Suez, há um impacto directo na economia global.
Nós exportamos crude e importamos produtos acabados, bens e serviços. Se há uma disrupção no canal de distribuição, obviamente Angola é impactada de forma negativa, porque não está fora do globo. Ou seja, todos os países, essencialmente de África, que dependem em grande medida da importação de petróleo ou refinados de petróleo acabam por ser impactados. Mas, obviamente, há sempre uma solução para encontrar melhores formas de mitigar o problema que agora se apresenta.
Ou seja, por um lado os preços altos permitem mais arrecadação com a venda do crude, por outro, mais dinheiro será gasto com a importação de derivados e os operadores terão os custos a elevar-se...
Temos um país que importa quase tudo, principalmente para a economia do dia-a-dia. O acréscimo do valor do barril de petróleo no mercado internacional tem benefícios. Não podemos deixar de reconhecer isso. Angola vai ter superávit porque está acima daquilo que foi estimado no OGE de 2026. Por exemplo, a coisa estava tão mal que foi necessário fazer um ajuste. As indústrias ou as empresas petrolíferas não pagavam impostos de importação, pagavam apenas taxas. Para este ano de 2026, antes de suceder aquilo que agora temos, o OGE fixou que as indústrias petrolíferas passariam a pagar pelo menos 5% do valor de importação dos seus bens e serviços. Isto é um valor bastante alto. Portanto, com a arrecadação de receitas actuais, por conta dessa situação no Médio Oriente, claro, vamos ter mais dinheiro e teremos um superávit, mas, em contrapartida, também temos um problema. Importamos bens e importamos serviços. Com o aumento do custo, o aumento da procura pelo petróleo e as restrições por conta da guerra tornam mais complicado o tráfego por aí. Então, o valor do transporte da mercadoria aumenta. Se Angola importa quase tudo, passa a importar mais caro. As empresas que garantem o seguro dessas transportadoras, também aumentaram o valor do seguro. Sem mencionar que existem rotas que estão completamente fechadas. O que quer dizer que mercadorias que foram aprovisionadas para estar em certo lugar a uma determinada altura, nessa situação, ficam condicionadas. Há um atraso na entrega das mercadorias. A indústria petrolífera não se compadece com atrasos. É extremamente eficiente na matéria que tem a ver com segurança, qualidade e com os timings para entrega das cargas.
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