Economia angolana acelera até 2027 mas fica aquém da média africana, diz BAD
A economia angolana deverá registar uma expansão de 2,9% em 2026, progredindo para 3,3% em 2027, segundo projecções do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). Apesar da trajectória ascendente, o desempenho de Angola fica aquém da média do continente, que se prepara para acelerar com taxas de crescimento superiores a 4%.
Angola enfrenta uma forte pressão económica interna, com a inflação a prever-se persistente e firmemente fixada acima dos 15%. O ritmo de crescimento projectado pelo BAD coloca Angola numa posição vulnerável.
De acordo com o relatório sobre as Perspectivas Macroeconómicas de África, consultado pelo Valor Económico, o continente deverá acelerar o crescimento de 4,4% em 2025 para 4,2% em 2026 e 4,4% em 2027, sustentado pelo investimento em infra-estruturas, recuperação agrícola, exploração mineira e aprofundamento das cadeias de valor.
Entre as regiões africanas, a África Oriental mantém a liderança do crescimento económico, com uma expansão estimada de 6,6% em 2025, seguida de 5,9% em 2026 e 6,4% em 2027. A África Ocidental surge na segunda posição, com taxas de crescimento de 4,8%, 4,7% e 4,5%, respectivamente. Já a África Austral, região onde Angola está inserida, continua a apresentar o desempenho mais fraco do continente, com um crescimento estimado em apenas 2,5% em 2025, 2,1% em 2026 e 2,7% em 2027.
O documento indica que o abrandamento da África Austral resulta das perturbações nas cadeias globais de abastecimento, dos impactos do conflito no Médio Oriente e da desaceleração de algumas das maiores economias da região. Ainda assim, prevê-se uma recuperação gradual apoiada pelo aumento do investimento público, pela recuperação da produção agrícola e pelo crescimento das exportações.
No caso angolano, um dos principais desafios continua a ser a inflação. O BAD prevê uma taxa de 17,7% em 2026 e de 15,3% em 2027, valores muito acima da média africana. A instituição atribui a persistência das pressões inflacionistas ao aumento dos preços globais da energia e dos fertilizantes, factores que continuam a afectar os custos de produção e o poder de compra das famílias.
Apesar disso, Angola deverá manter saldo positivo da conta corrente, estimado em 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e 1% em 2027, beneficiando ainda das exportações petrolíferas. Do lado das finanças públicas, contudo, o país deverá registar défices fiscais de 1,1% do PIB em 2026 e 2,1% em 2027, reflectindo maiores pressões sobre as contas do Estado.
O relatório chama ainda a atenção para um problema estrutural comum a grande parte do continente: o crescimento económico não está a traduzir-se, de forma proporcional, em melhoria das condições de vida da população. O BAD refere que a desigualdade continua elevada em África, com um coeficiente médio de Gini de 38,5. Em vários países, os 10% mais ricos concentram entre 40% e 65% do rendimento total, enquanto metade da população recebe apenas entre 10% e 15%.
Para Angola, os números reforçam um desafio recorrente. Apesar das perspectivas de crescimento positivo, o ritmo de expansão continua insuficiente para gerar uma transformação económica profunda, reduzir significativamente a pobreza e criar emprego à escala necessária. A manutenção de uma inflação elevada e a dependência das receitas petrolíferas continuam a limitar a capacidade do país de acompanhar o dinamismo observado noutras regiões africanas.









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