Governador do BNA afirma que Angola já não está em crise e entrou em “fase ascendente”
O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, afirmou que Angola já não está em crise económica, mas sim numa “fase ascendente do ciclo económico”, e que os cidadãos já têm sentido os efeitos da desaceleração dos preços.
Para o líder do banco central, “infelizmente” o período de crise foi relativamente longo, o que faz com que, apesar dos esforços, ainda se faça frequentemente referência à crise. No entanto, Manuel Tiago Dias sublinha que esse período já ficou para trás e que, do ponto de vista dos indicadores macroeconómicos, o país não está em crise.
“Infelizmente, o período de crise foi relativamente longo. Isso fez com que, apesar dos esforços ainda se faça frequentemente referência à crise. Mas não, o país, do ponto de vista dos conselhos macroeconómicos, não está em crise. O país está naquilo que chamamos de uma fase ascendente do ciclo económico”, asseverou.
Em entrevista ao Jornal Economia e Finanças, Manuel Tiago Dias detalhou os principais avanços da economia nacional nos últimos anos, como as taxas de crescimento, particularmente no sector não-Petrolífero, a redução das taxas de inflação, e o aumento das Reservas Internacionais, para fazer face a adversidades externas.
O Governante reforçou ainda que o facto de o país ter vivido um período de crise relativamente longo, de 2014 a 2020, e o período de recuperação da actividade económica foi com taxas relativamente baixas e isso faz com que os cidadãos não percebam os avanços de forma imediata.
Para ele, o cidadão já tem estado a sentir os efeitos da desaceleração dos preços. Explicou que quando se fala de desaceleração, significa que os preços continuam a subir, mas a um ritmo inferior àquele observado anteriormente. Porém, quando se olha para alguns bens e serviços já têm estado a registar uma certa estabilidade. “Portanto, a desaceleração ou a queda da inflação na economia também tem, por função do horário, as expectativas dos agentes económicos e, consequentemente, transmitir confiança e segurança sobre o que poderá acontecer. Pensamos que esta tendência vai fazer com que, efectivamente, a médio prazo, o cidadão possa com maior facilidade sentir os efeitos da redução da inflação”, ressaltou.
Na entrevista o governador do BNA destacou ainda a necessidade de se melhorar o controlo na gestão das Finanças Públicas, essencialmente em respeito ao financiamento do Banco Central ao Governo. “Por exemplo, o Banco Central financia o Governo, particularmente, com financiamento de moeda nacional. O Banco Central emite moeda e essa moeda acrescenta a moeda em circulação na economia e, obviamente, potencia a procura interna. E se não tivermos oferta suficiente, este aumento acaba por pressionar os preços. Então, temos que ser extremamente cautelosos no financiamento das Finanças Públicas pelo Banco Central”, justificou.









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