Especialistas exigem reforma urgente para travar morte de gado por falta de ração
O director-geral da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), Simione Chiculo, e o presidente da Associação dos Agrónomos de Angola, Yuri Chipoio, defendem uma reforma no sector da pecuária para a prevenção da morte de animais, provocada pela escassez de ração no mercado.
O director-geral da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), Simione Chiculo, e o presidente da Associação dos Agrónomos de Angola, Yuri Chipoio, defendem uma reforma no sector da pecuária para a prevenção da morte de animais, provocada pela escassez de ração no mercado.
A escassez severa de ração e o desvio de cevada para exportação estão a provocar uma crise na pecuária em Angola, resultando na morte de centenas de aves e suínos e ameaçando a autossuficiência alimentar do país, revelou recentemente o Jornal Valor Económico. Esta crise agrava-se com a subida dos custos logísticos e com as secas cíclicas que destroem as pastagens do gado bovin
Simione Chiculo entende que a escassez de cereais, sobretudo de cevada, uma das principais matérias-primas para a produção de ração animal, resulta de uma combinação de factores internos e externos. "Os efeitos das alterações climáticas, com períodos prolongados de seca que reduzem a produção agrícola, a dependência excessiva de importações de insumos agrícolas e matérias-primas para a alimentação animal, o aumento dos custos de transporte e logística, bem como a instabilidade dos mercados internacionais de alimentos", apontou.
De acordo com Simione Chiculo, a redução da produção afecta directamente a disponibilidade de alimentos de origem animal nas comunidades rurais, reduz os rendimentos das famílias e agrava a insegurança alimentar e nutricional, sobretudo nas províncias da Huíla, Namibe e Cunene, onde a pecuária constitui uma das principais fontes de subsistência e de geração de rendimento.
Perante este cenário, a ADRA considera que a redução da dependência das importações de insumos agrícolas e de matérias-primas para a produção de ração exige uma intervenção mais consistente do Estado. "A necessidade de reduzirmos a dependência externa dos insumos agrícolas e de ração animal exige ao Executivo angolano a implementação de políticas estruturais orientadas para o fortalecimento da produção nacional e da resiliência das comunidades rurais", defendeu.
Entre as medidas consideradas prioritárias, a organização destaca a promoção da produção local de culturas forrageiras e de cereais destinados à alimentação animal, de forma a reduzir a dependência das importações, propondo a facilitação do acesso ao crédito rural e aos seguros agrícolas e pecuários, sobretudo para os pequenos produtores familiares, a valorização dos sistemas de produção agroecológicos e integrados, que combinam agricultura e pecuária.
Já o presidente da Associação dos Agrónomos de Angola, Yuri Chipoio, referiu que a situação é mais complexa, porque "as mortes foram causadas precisamente pela falta de vacinas e outros medicamentos essenciais para o controlo parasitário de doenças crónicas e doenças particulares registadas no ciclo de exploração animal".
O agrónomo rejeitou que a alimentação destinada ao consumo humano esteja na origem da mortalidade dos animais. Na avaliação do presidente da associação, um dos principais factores que contribuem para o défice de alimentação animal é a exportação destes produtos para a Namíbia. "Os grandes factores que estão a contribuir para o défice de alimentação ao nível da cadeia de exploração animal têm sido precisamente a exportação desses produtos", afirmou.
Segundo explicou, "há relatos de que esses produtos são exportados para a vizinha Namíbia. Estamos a falar da cevada que sai da Huíla e é exportada para a vizinha Namíbia, estamos a falar de farelo que sai de Benguela para a vizinha Namíbia".
Além da escassez, o responsável apontou o elevado custo da ração e da cevada como outro entrave ao desenvolvimento da actividade pecuária. "Hoje, os preços da ração e os preços da cevada estão precisamente muito, muito altos. O que leva também muitos produtores a não terem a capacidade de aceder a estes preços", referiu.
Como solução para inverter este quadro Chipoio apelou à realização de um diagnóstico aprofundado sobre as causas da escassez. "É preciso fazer uma radiografia profunda sobre o que de facto está a acontecer porque aqui apontamos muitas causas, muitos factores, mas outros muitos factores podem estar na base disto", afirmou.
O responsável associativo defendeu ainda a redução dos impostos sobre vacinas e suplementos veterinários importados, argumentando que muitos destes produtos não são produzidos no país.









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