Dependência energética coloca África a perder 0,2% com crise no Médio Oriente
DIVERSIfiCAÇÃO. Especialistas alertam contra a adopção de subsídios generalizados, que podem agravar os défices públicos, e incentivam a diversificação das fontes de energia, dos factores de produção e do abastecimento alimentar.
A crise no Médio Oriente poderá reduzir o crescimento económico em África em até 0,2%, agravando pressões já existentes sobre as economias do continente, segundo um relatório conjunto de instituições africanas e internacionais.
O documento, intitulado “Impactos do Conflito no Médio Oriente nas Economias Africanas”, foi divulgado a 15 de Abril pela Comissão da União Africana, pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), pela Comissão Económica das Nações Unidas para África e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, à margem dos Encontros da Primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.
O relatório destaca que, após uma recuperação ainda frágil dos efeitos da pandemia de COVID-19, da guerra entre Rússia e Ucrânia e das tensões comerciais globais, as economias africanas enfrentam agora um novo choque externo. Entre os principais riscos estão o aumento dos preços dos hidrocarbonetos, alimentos e fertilizantes, bem como perturbações nas cadeias de abastecimento, na logística e no comércio internacional.
Durante a apresentação, Kevin Urama, vice-presidente para o Complexo de Governação Económica e Gestão do Conhecimento, sublinhou que o encerramento do Estreito de Ormuz teve consequências directas nos fluxos comerciais e no transporte marítimo, agravando a pressão sobre os custos de importação.
Já Claver Gatete, secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África, alertou que cerca de 80% do petróleo importado por África provém do Médio Oriente, assim como metade dos produtos refinados, o que torna o continente altamente vulnerável a choques na região. Segundo o responsável, 31 países africanos já enfrentam desvalorizações cambiais.
O relatório recomenda uma gestão estratégica da inflação para manter a estabilidade de preços no curto prazo, bem como disciplina fiscal rigorosa, sobretudo nos países exportadores de petróleo. Defende ainda o uso prudente das receitas extraordinárias, o reforço da monitorização da dívida e a implementação de medidas de proteção social temporárias e direccionadas, sempre que houver margem orçamental.Por outro lado, os especialistas alertam contra a adopção de subsídios generalizados, que podem agravar os défices públicos, e incentivam a diversificação das fontes de energia, dos factores de produção e do abastecimento alimentar.
Entre as soluções estruturais, o relatório enfatiza a necessidade de reforçar o comércio intra-africano, especialmente nos sectores do petróleo e fertilizantes, e acelerar a operacionalização da Zona de Comércio Livre Continental Africana. Recomenda também maior coordenação entre políticas monetárias e orçamentais, além de apoio urgente por parte de parceiros internacionais e instituições financeiras multilaterais.
O relatório conclui que, embora os choques externos sejam inevitáveis, África dispõe de recursos e instrumentos para reforçar a sua resiliência — desde que as respostas políticas sejam bem coordenadas, sustentáveis e centradas nas pessoas.








Funcionários da AGT sob suspeita de fraude de mil milhões de kwanzas