litígio imobiliário

Moradia paga em 2018 por entregar: Cliente acusa Grupo Boa Vida de burla e ameaças

O engenheiro Emanuel Leopoldo acusa o Grupo de Construção e Urbanismo Boa Vida de incumprimento contratual. Em causa está um imóvel totalmente pago em 2018 que ainda não foi entregue, nem alvo de reembolso. Emanuel Leopoldo denunciou, em declarações ao jornal Valor Económico, os sucessivos constrangimentos que enfrenta há oito anos com a empresa de construção. 

Moradia paga em 2018 por entregar: Cliente acusa Grupo Boa Vida de burla e ameaças

Segundo o lesado, a moradia foi totalmente liquidada em 2018, mas, até à data, não recebeu o imóvel nem o reembolso do capital investido. Emanuel Leopoldo explicou que, desde a acquisição do bem, a construtora tem emitido sucessivos comunicados e notas de esclarecimento com o único propósito de adiar as datas de entrega inicialmente acordadas no contrato.

De acordo com Emanuel Leopoldo, chegou a existir um entendimento com a construtora em 2024, sobre uma forma de ressarcimento, mas entende que o Grupo Boa Vida utilizou esse acordo apenas para prolongar o processo sem resolver definitivamente a situação.

Na sua perspectiva, a construtora deve proceder ao cálculo integral dos montantes que considera em dívida, incluindo o reembolso do capital investido, a compensação pelos oito anos de atraso (prevista contratualmente à taxa de 0,04% ao mês), bem como os prejuízos decorrentes da perda de oportunidades de negócio desde Junho de 2019, nomeadamente receitas de arrendamento que estima em, pelo menos, 2,5 milhões de kwanzas por mês. Defende ainda que o valor inicialmente pago deve ser actualizado, alegando que os cerca de 100 milhões de kwanzas desembolsados em 2018 correspondiam, na altura, a aproximadamente 580 mil dólares, valor significativamente superior ao seu equivalente actual.

Além das questões financeiras, Emanuel Leopoldo accusa a empresa de recorrer a alegadas ligações institucionais para desencorajar clientes que procuram fazer valer os seus direitos. 

Empresa promete entregar moradia até ao Natal de 2026

Contactada pelo Valor Económico, a direcção do Grupo Boa Vida reconheceu o atraso na entrega da habitação. Em jeito de justificação, a empresa assegurou estar a trabalhar para que o imóvel corresponda às expectativas criadas e comprometeu-se publicamente a garantir que a família de Emanuel Leopoldo possa celebrar a quadra natalícia de 2026 já no novo lar.

O presidente executivo do Grupo Boa Vida, Tomas Dawbor reconheceu que houve incumprimento do prazo inicialmente previsto para a entrega da residência e apresentou desculpas ao comprador e à sua família pelos transtornos causados.

A empresa esclarece que, nos termos do aditamento contractual celebrado em 24 de Outubro de 2024, o cliente Emanuel Lolpoldo procedeu ao pagamento integral do imóvel no montante de 100.099.192,91 kwanzas, tendo ficado acordado entre as partes que a entrega da residência ocorreria durante o ano de 2025.Apesar dos sobressaltos, a empresa garante que a residência será entregue até Novembro de 2026, no âmbito da estratégia "Nova Era", através da qual prevê concluir e entregar mais de 800 residências ainda este ano.