Analistas acusam Governo de lançar programa de emprego “Jovem Mais” com fins eleitorais
O Governo lançou o Projecto de Emprego e Oportunidades para Jovens (Jovem Mais), uma iniciativa orçada em 250 milhões de dólares e financiada pelo Banco Mundial. O programa nasce sob o cepticismo de vários analistas, que acusam a iniciativa de visar fins puramente eleitorais.
A iniciativa prevê beneficiar cerca de 500 mil jovens até 2030.
Segundo a ministra Teresa Rodrigues Dias, o programa enquadra-se na Agenda Nacional para o Emprego e visa diversificar o acesso ao mercado de trabalho, incentivar a criação do próprio emprego e reforçar a implementação de políticas activas de emprego.
Contudo, apesar destas metas, o empreendedor e activista político Jeiel Freitas considera que o projecto deve ser analisado para além dos seus objectivos declarados.
"Os projectos que visam dar apoio à juventude são bem-vindos. Não temos problema nenhum em aceitar que o Governo, no âmbito da sua responsabilidade social, elabore programas para resolver a situação socioeconómica da juventude", afirmou.
Contudo, Jeiel Freitas questiona aquilo que considera ser o "pano de fundo" de iniciativas semelhantes lançadas em períodos politicamente sensíveis.
"O que eu questiono é a moralidade destas acções. Não pode valer tudo para garantir resultados eleitorais. Deve existir ética na política e as soluções devem ser sustentáveis", defendeu.
O activista recordou programas anteriores dirigidos aos jovens, como o Bué, o Projovem e linhas de crédito apoiadas pelo Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), argumentando que muitos destes projectos não tiveram impacto estrutural na vida da juventude.Neste contexto, alertou para o risco de novas dívidas serem utilizadas para financiar programas cujo retorno económico e social ainda não está claramente demonstrado.
"São 250 milhões de dólares que não são doações. São dívidas que o país terá de pagar. Estamos a hipotecar o futuro das próximas gerações para garantir resultados eleitorais", declarou.
Já o analista jurídico Manuel Cagundo enquadrou a discussão na perspectiva constitucional, sublinhando que a igualdade de oportunidades está consagrada na Constituição da República de Angola.
Segundo o especialista, os artigos 22.º e 23.º estabelecem princípios de igualdade de tratamento e de acesso às oportunidades para todos os cidadãos. Contudo, considerou que o problema reside frequentemente na aplicação prática desses princípios.
"O grande problema sempre se prendeu com quem tem o dever de cumprir e fazer cumprir a Constituição, mas prefere pisotear as leis para salvaguardar determinados interesses, numa lógica de manutenção do poder a qualquer custo", afirmou.
Para Manuel Cagundo, os programas públicos devem ser implementados sem discriminação e garantir igualdade de acesso ao emprego, habitação e demais benefícios sociais.
Por sua vez, o analista Félix Bom-Ano classificou os programas de promoção do emprego juvenil como medidas de alcance limitado, defendendo que muitas destas iniciativas surgem em momentos próximos dos ciclos eleitorais.
"Esses projectos não passam de medidas paliativas. Surgem sensivelmente nas fases eleitorais e servem para atrair o eleitorado, sobretudo os jovens que procuram oportunidades de trabalho", declarou.
O analista sustentou ainda que uma parte crescente da população tem vindo a desenvolver uma visão crítica sobre as políticas públicas dirigidas à juventude e sobre os resultados concretos alcançados ao longo dos anos.
Apesar das críticas, o Executivo e o Banco Mundial defendem que o Jovem Mais poderá contribuir para melhorar o acesso ao emprego, ao empreendedorismo e à inclusão económica dos jovens, num contexto marcado por elevados níveis de desemprego juvenil e pela necessidade de diversificação da economia.









Governo lança concurso para preencher 442 vagas na Agricultura e Florestas