MEMORANDO DE ENTENDIMENTO

Angola e Zâmbia unem-se para transformar Moxico Leste em destino de ecoturismo

TURISMO. Espera-se que o ecoturismo se torne uma fonte sustentável de rendimento, reduzindo a pressão sobre os recursos naturais e oferecendo alternativas económicas à caça furtiva e a outras práticas de exploração não controlada.

Angola e Zâmbia unem-se para transformar Moxico Leste em destino de ecoturismo
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A expectativa é que o ecoturismo se torne uma fonte sustentável de rendimento, reduzindo a pressão sobre os recursos naturais e oferecendo alternativas económicas à caça furtiva e a outras práticas de exploração não controlada.

Angola e a Zâmbia formalizaram um acordo de cooperação para a criação da Área de Conservação Transfronteiriça Liuwa Plain–Mussuma, um projecto que combina preservação ambiental e desenvolvimento económico e que poderá transformar o Moxico Leste num dos principais destinos de ecoturismo da África Austral.

O entendimento foi aprovado vem descrito no Decreto Presidencial n.º 85/26, de 5 de Maio, e estabelece as bases para a gestão conjunta de uma extensa área ecológica que se estende entre a Reserva da Mussuma, em território no Moxico Leste, e o Parque Nacional de Liuwa Plain, na Zâmbia.

O projecto prevê a criação de condições para o desenvolvimento de infra-estruturas turísticas, incluindo lodges, acampamentos ecológicos, centros de interpretação ambiental e circuitos de observação da vida selvagem. Também poderão surgir oportunidades para empresas de transporte, restauração, artesanato e serviços especializados de guia turístico.

A experiência de Liuwa Plain, já reconhecido internacionalmente pelo turismo de observação da natureza, poderá servir de referência para acelerar a valorização do lado angolano da área protegida. O parque zambiano é conhecido pelas grandes migrações de gnus, pela diversidade de aves e por paisagens de elevado valor ecológico, atraindo turistas e investigadores de vários países.

Com a criação do corredor transfronteiriço, os dois países pretendem oferecer uma experiência turística integrada, permitindo aos visitantes circular entre Angola e Zâmbia e explorar ecossistemas contínuos sem as limitações impostas por fronteiras administrativas.

O memorando também prevê a harmonização de procedimentos migratórios, aduaneiros e sanitários, um passo considerado fundamental para facilitar a entrada de turistas e estimular a actividade dos operadores do sector. Além do turismo, o acordo tem como objectivo proteger a biodiversidade e restaurar rotas naturais de migração de animais selvagens. A eliminação de barreiras artificiais e a adopção de estratégias conjuntas de conservação deverão contribuir para aumentar a atractividade da região como destino de safári e turismo científico.

O documento estabelece que as populações residentes nas áreas adjacentes devem participar activamente na gestão e beneficiar dos rendimentos gerados pelo turismo, através da criação de empregos, do apoio ao empreendedorismo e da valorização de actividades tradicionais.

A expectativa é que o ecoturismo se torne uma fonte sustentável de rendimento, reduzindo a pressão sobre os recursos naturais e oferecendo alternativas económicas à caça furtiva e a outras práticas de exploração não controlada.

No lado angolano, a área abrangida inclui uma vasta extensão delimitada pelos rios Mulondola, Luena, Zambeze, Cuando e Chiume, uma zona remota e pouco explorada, mas com elevado potencial paisagístico e ecológico.

A cooperação envolverá instituições ligadas ao ambiente, turismo, defesa, imigração, alfândegas, saúde animal e ordenamento do território, reflectindo a complexidade e a dimensão estratégica da iniciativa.

Em Angola, a coordenação do projecto caberá ao Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC), enquanto na Zâmbia a responsabilidade será do Departamento de Parques Nacionais e Vida Selvagem, sob tutela do Ministério do Turismo.