Suely de Melo

Suely de Melo

Convidado principal à cerimónia do dia dos heróis no Quénia, João Lourenço lançou um “pó de ninja” no final da semana passada. Chegado a Nairobi na quinta-feira, para no dia seguinte participar do evento queniano mais importante, o chefe de Estado simplesmente não apareceu, tendo delegado o ministro das Relações Exteriores em seu lugar, este que também não se dignou a justificar a ausência do chefe. O desaparecimento repentino e a falta de justificação deram lugar, naturalmente, a especulações. Rapidamente viralizou a teoria segundo a qual JLo teria sido envenenado. Houve quem apontasse a falta de segurança no local como o motivo da ausência do chefe, outros ainda há que relataram uma indisposição momentânea causada por alegados motivos que não convém replicar, porque afinal também tememos o 333 do Código Penal. O certo é que, até que reaparecesse no dia seguinte, como se nada tivesse acontecido, não houve um único pronunciamento oficial, como de resto já nos é habitual.

Tal como já se adivinhava o tal "experimento da democracia" não passou de um nado morto. Não houve sequer espaço para discussões, deliberações ou fundamentações. Era, portanto, sabido que quem pensou em colocar o capítulo da "destituição" na constituição não o fez a pensar que pudesse vir a ser usado contra o maioritário. Senão, porque cargas d'água os deputados sequer cogitariam a hipótese de se discutir o assunto, quanto mais não fosse para desconstruir toda a narrativa trazida pela Unita, já que estão tão certos de que o seu líder, nada mais faz senão andar dentro dos marcos da lei?! Senão porque se sujeitariam a violar tudo quanto é norma, atropelar tudo quanto é lei, inverter tudo quanto é regimento?

Nestes dias que andaram, Manuel Homem resolveu ‘bicar’ o Tomás do Cazenga. Este foi rapidamente às redes sociais agradecer à missão lhe foi confiada por estes quase três anos, mas não perdeu a oportunidade de se lamentar. O autor do lema “o processo é dinâmico e irreversível” apelou para o “vitimismo”, ao considerar que “até a mais nobre intenção é merecedora de julgamentos”.

E abriram-se as portas do paraíso a quase 100 países. A esperança é que Angola seja abarrotada por cidadãos dos mais variados cantos do mundo. Mas como esperar ter êxito no fomento ao turismo num país onde os preços de tudo e de nada estão pela hora da morte? Onde hotéis, resorts, restaurantes e afins praticam preços astronómicos. Num país que não tem estradas condignas que liguem uma província à outra e que levem aos principais destinos turísticos e, portanto, onde o turista se vê quase impossibilitado de conhecer as belezas de Angola sem depois se contorcer de dores no corpo. Ao azarar-se em optar pelas viagens de avião, corre o risco de passar uma boa parte do tempo no aeroporto, a julgar pelas constantes bandeiras da nossa companhia de Bandeira... Num país onde o Ministério do Interior está mais preocupado com os polícias que fazem dancinhas do tiktok do que em sanar o vício da gasosa dos nossos oficiais, que, diga-se de passagem, parecem ter uma apetência acentuada pela tez mais clara. Onde os números da criminalidade são de assustar, que o diga o atleta britânico que decidiu percorrer por toda África e bastou chegar a Angola para receber as boas vindas com um assalto básico. É boa ideia escancarar as portas de um país com uma péssima qualidade de atendimento em todo e qualquer serviço, burocracia excessiva, de um país que precisa de um trabalho de casa profundo?