Lúcia de Almeida

Lúcia de Almeida

ARTES PLÁSTICAS. Francisco D. Van-Vúnem, ou simplesmente ‘Van’, de 59 anos, é autor de diversas peças de arte. As suas colecções já estiveram presentes em várias salas nacionais e internacionais. Em entrevista ao VALOR, o ‘kota’ das artes plásticas admite que as suas obras “são pouco conhecidas”, queixa-se da falta de coleccionadores e de galerias.

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Com mais de 30 anos de carreira, que avaliação faz do seu percurso?

Sinto que tive um percurso interessante. Devia ser melhor, se o país tivesse tido outro tipo de condições. Nas condições em que o país se desenvolveu, tenho de dar graças a todo este percurso e tenho de me sentir honrado por ter sido considerado artista plástico desde o período pós-independência até aos dias de hoje.

O que gostava de ter alcançado?

Gostaria de ter maior notoriedade em Angola e que o meu trabalho fosse mais divulgado pelo país e talvez um pouco mais pelo mundo. O meu nome, de certa forma, é conhecido, mas a minha obra é pouco conhecida. Não há catálogos de referência, não há museus de arte contemporânea para que me possa sentir representado. Estou representado em outros museus fora do país.

Quem deve ser responsabilizado por esse pouco reconhecimento?

Não se pode apontar nomes, nem instituições. Deve-se ao sistema e à falta de muita sensibilidade, falta de educação artística. É um aspecto conjuntural e também me incluo. O facto de não poder ter forças suficientes diante destas debilidades e fraquezas para dar saltos maiores do que dei para que a minha obra pudesse ser mais bem difundida. A culpa é partilhada.

O que o Estado pode fazer?

O Estado tem instrumentos. Há a lei do Mecenato e há que sensibilizar instituições a trabalhar para o reconhecimento das minhas obras. O Estado tem um programa de apoio a actividades artísticas e culturais que pode ir buscar recursos e disseminar a obra através de catálogos e de outros suportes. Ainda tem uma lei que consagra a bolsa de criação artística. Podia desenvolver diferentes actividades pelo país suportado por essa bolsa.

Como vê a produção de artes plásticas em Angola?

Nunca se viu tanta produção, maturidade e fluidez como se vê nos dias de hoje. A juventude tem muito bom trabalho que resulta, em parte, de escolas que foram surgindo e está a dar resultados e o facto de algumas pessoas saírem, formarem-se e regressarem com ‘know-how’. Outros, que estiveram muito tempo na diáspora, vêm também com bastante conhecimento e experiência. A produção está muito boa. Temos o problema da distribuição, da aquisição das obras de arte. As obras devem sair dos ‘ateliers’ para a casa de coleccionadores, instituições, recintos públicos. Atendendo que somos um povo com bastante tradição escultórica, agora pintam-se as pontes, mas é um trabalho de pouca sustentabilidade. Estas obras, com as intempéries, poeiras e chuvas, vão perder qualidade; cor, tinta e lucidez.

O que falta para que as obras de arte deixem de ser confinadas nos ‘ateliers’?

Faltam coleccionadores, museus, galerias. Não digo que seja por questões económicas. O problema é que nunca vimos o escoar das obras de arte. Agora estamos em crise, mas nunca vimos, noutras alturas, haver bastante circulação de obras. Estão sempre confinadas, na casa dos artistas. Vai para uma galeria e depois regressa. Há poucos compradores.

Que custos tem ao preparar uma exposição?

Temos custos avultados. A maior parte da matéria-prima, para se fazer pintura convencional, é importada. Não se conseguem divisas para se comprar material, por isso é que, estrategicamente, recorri à política dos três ‘rs’ do ambiente (reduzir, reciclar e reutilizar). Vou buscar muitas coisas em desuso. Dizem os ambientalistas que “o lixo só é lixo quando está mal conservado”, por isso, tenho tirado do lixo devidamente seleccionado os inertes sólidos para a produção. Com este material, tenho utilizado o outro ‘r’ que é reciclar e depois tem o reutilizar para o nosso convívio transformado em obra de arte.

Quanto custa uma obra do ‘Van’?

Varia de trabalho, tipo de material e formato. Se o artista for mais cotado naturalmente, a obra será mais valorizada.

Quais são as suas expectativas para a nova fase sociopolítica do país?

Angola já passou por momentos piores e a nossa expectativa é que as coisas melhorem. Nunca se viu tanta liberdade como agora, o país deu um salto muito grande em liberdade, direitos e garantias. O país ganhou muito em liberdade de expressão, de análises, debates. Podíamos começar a incentivar a criação de mais escolas, a ter uma maior educação artística, para que, um dia, as pessoas reconheçam e valorizem as artes. Há pessoas com mais de 20 anos, que nunca foram a uma sala de exposição, isto é muito mau. A arte contribui para a mudança de comportamento, comunica, valoriza a identidade cultural. É bom que a nossa arte seja conhecida nas escolas.

Tem alguma exposição prevista?

Tenho prevista para o 2.º semestre deste ano, uma exposição ‘Retrospectiva’, para mostrar a minha produção ao longo dos 40 anos de carreira.

40 anos de pintura

Francisco D. Van-Dúnem ‘Van’ nasceu em 1959, no Bengo. É mestre em educação artística pela University of Surrey Roehampton, Londres, Inglaterra, em colaboração com o Instituto Superior Politécnico de Viana do Castelo (Portugal). É membro fundador da União Nacional dos Artistas Plásticos e co-fundador e professor da Escola Média de Artes Plásticas, em Luanda. Foi director Nacional de Formação Artística. É detentor dos prémios ‘Mural Cidade de Luanda’; de pintura, do Banco de Fomento e Exterior de Portugal; e ENSA Arte, em 1996 e 2004. Em 2008, foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Artes Plásticas, numa promoção do Ministério da Cultura. Tem obras em colecções oficiais na Sérvia e diversas exposições individuais. Participou em exposições colectivas de artistas conceituados em vários países.

DANÇA. Há 27 anos que a prestigiada Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC) tem brindado o público com espectáculos atraentes. Este ano, não vai ser diferente, com a estreia nesta quinta-feira, à temporada 2018 com a peça ‘O Monstro Está em Cena’. Ana Clara Guerra Marques, directora artística da companhia, adianta que o espectáculo é uma “crítica à prepotência, ao preconceito e ao egoísmo do ser humano”.

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Celebrar a diferença, procurar o novo e defender a liberdade criativa constituem a principal marca da Companhia de Dança Contemporânea (CDC), que estreia a peça ‘O Monstro Está Em Cena’, de 14 a 24 de Junho, no Centro Cultural Português, em Luanda.

De acordo com a directora artística da companhia, Ana Clara Guerra Marques, o espectáculo é “uma crítica à prepotência, ao preconceito e ao egoísmo do ser humano”, bem como “aos sistemas políticos que fomentam a guerra, a xenofobia, a desigualdade e a repressão e impedem a circulação e a liberdade de expressão”.

Para a temporada de 2018, a CDC regressa à linha de trabalho de intervenção, propondo um “confronto com a sua própria realidade social, contrariedades e condição de cidadãos de universos que se interceptam num mundo onde as barreiras geográficas e culturais voltam a acentuar-se”, explica Ana Clara Guerra Marques.

Além de o corpo e o movimento natural constituírem o elemento catalisador da mensagem e o recurso à imagem, o prolongamento de uma não narrativa onde todas as interpretações são prováveis, a peça dá ao público a possibilidade de escolher entre um ser humano animalesco, robotizado ou de instintos primitivos e um ser humano bom, sonhador, capaz de respeitar e fazer reinar a paz entre si e o seu semelhante.

Coreografada por Nuno Guimarães e Ana Clara Guerra Marques, o espectáculo vai ser exibido às quintas e sextas às 19h30 e sábados e domingos às 18h30. Os bilhetes estão a ser comercializados a 5.000 kwanzas.

Divulgar, surpreender, ensinar, provocar e contribuir para a educação estética do público, trazendo-o à apreciação das artes são os grandes objectivos desta companhia angolana, para o que complementa a sua acção artística com a realização de ‘workshops’, seminários, palestras, encontros, aulas abertas e outros programas de educação e divulgação da dança.

Espectáculos

Hoje, com 27 anos de existência, a CDC procura a internacionalização como forma de validação do seu trabalho no exterior onde é reconhecido. Colecciona espectáculos como ‘Culpa’ (1992); ‘Imagem & Movimento’ (1993), ‘Palmas, por Favor!’ (1994); ‘Neste País...’ (1995), ‘Agora não dá! ‘Tou a Bumbar...’ (1998), ‘Os Quadros do Verso Vetusto’ (1999), ‘O Homem que chorava sumo de tomates’ (2011), ‘Solos para um Dó Maior’ (2014), ‘Ceci n’est pas une porte’ (2016) e, agora, ‘O monstro está em cena’ (2018). Além das apresentações no país, a CDC já se exibiu em 15 países e 31 cidades, em África, América, Europa e Ásia.

27 anos de dança

A Companhia de Dança de Angola foi fundada em 1991, edificou-se, através de um percurso de inovação e singularidade, uma história exclusiva que faz dela um colectivo histórico e único, num contexto artístico que permanece “frágil, conservador e fortemente cunhado pelas danças patrimoniais e recreativas urbanas e pela ausência de um movimento de criação de autor, no plano da dança”, lê-se nos prospectos da companhia.

Em 2009, tornou-se numa companhia de dança inclusiva, inaugurou, em Angola, o regime de temporadas e criou uma linha de trabalho que, dispensando as narrativas de estruturação convencional, dando preferência às propostas que confrontem o público com as suas próprias histórias, com os aspectos do seu quotidiano, das suas realidades sociais, da sua condição de cidadãos de universos que se cruzam.

FOTOGRAFIA. Esteve em Angola pela primeira vez para apresentar a exposição ‘Mulheres Invisíveis (Invisible Women 2006)’, no âmbito da 3.ª edição do projecto Vidrul Convida’, com a colaboração da AM-Arte. A mostra ficou patente no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, até 30 de Maio. Sabelo Mlangeni, em entrevista ao VALOR, abordou a experiência em Angola e da expansão da fotografia no mercado sul-africano.

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O que retrata a exposição ‘Mulheres Invisíveis’?

A exposição procura não só retratar a força e a resistência das mulheres sul-africanas, cujo trabalho é limpar, diariamente, o lixo do comércio e restos dos vários negócios no centro de Joanesburgo, mas também mostrar que as fronteiras sociais podem ser eliminadas, dando-lhes independência, acesso às necessidades básicas e capacitação económica, apesar de fazerem um trabalho que a maioria considera humilhante. Torna-se necessário abrir as possibilidades para que essas mulheres tenham acesso ao poder político, com leis que salvaguardem, com voz igual, o seu futuro e dos seus filhos, sem que haja leis e costumes repressivos que os restringem.

Como entrou para a fotografia?

Em 2001, mudei-me para Joanesburgo, onde me juntei ao ‘Workshop de Fotografia de Mercado’, graduando-me em 2004. Ganhei o Prémio ‘Tollman de Artes Visuais’, em 2009, o que confirmou ainda mais a minha vocação para esta arte. Desde então, tenho exposto com muita frequência na África do Sul e no estrangeiro, tanto em exposições colectivas, como individuais.

Como vê o mercado na África do Sul?

Na África do Sul, embora tenhamos grandes referências, a fotografia ainda é um nicho. De forma a crescer, um fotógrafo tem de fazer o seu trabalho crescer com amor e não pensar exclusivamente na importância monetária do trabalho. Com trabalho forte, feito com amor, o mercado e a remuneração encontrar-nos-ão sempre.

Quais são suas principais influências?

As minhas influências maiores são os sul-africanos Santo Mofukeng, que representa um pai para mim; Creo Mutwa, um artista e um visionário; David Golblatt, um mestre, e, por fim, uma enorme apreciação pelo trabalho do Paul Strand (norte-americano).

Acompanha trabalhos de fotógrafos angolanos?

Sim, acompanho o trabalho sempre que há suficiente informação, média ou mesmo que a pesquisa o permita. A fotografia nacional é largamente abstracta. E pergunto o porquê disso? E como poderei adaptar-me a essa linguagem? Como podemos abrir o leque da conversa entre a África do Sul e Angola?

Quanto custa uma fotografia de Sabelo Mlangeni?

As minhas fotografias custam entre 18 e 35 mil rands. [Equivalente a 35 a 65 mil kwanzas].

Há quem diga que a edição exagerada de fotografias representa uma ‘inundação digital’…

Mesmo na era analógica, sempre houve bastante pós-produção. Hoje, talvez seja em maior quantidade, até porque quase todos têm um ´smartphone´, com uma quantidade incomensurável de filtros e editores de fotografia ao toque de um dedo, pelo que existem muitos mais ‘fotógrafos’ do que no passado, dando a ilusão de uma ‘inundação digital’.

Uma única foto realmente pode expressar mil palavras?

Sim, uma única foto realmente pode expressar mil palavras. E, nessa linha, uma combinação de imagens pode fazer o seu trabalho crescer com amor. Estou motivado e engajado em (re)criar emoções e (re)acções a essas imagens fotografadas.

Tem algum projecto ou exposição em vista?

Tenho um trabalho em mente que me vai ‘obrigar’ a sair da minha zona de conforto em termos de linguagem, mas que é um tema que me apaixona: ´Paisagens Europeias´, mas visto na óptica de soldados sul-africanos que morreram na 2.ª Guerra Mundial e cujos corpos continuam sepultados nas paisagens de Dieppe, na Normandia, em França.

Quais são os motivos que o fariam voltar a Angola?

As fortes relações sociais e humanas que já criei no curto espaço em Luanda. Em particular, gostaria de voltar para fazer uma residência e criar um impacto importante por entre as pessoas com quem poderei interagir.

Em exposições

Sabelo Mlangeni participou em várias exposições colectivas e individuais, das quais se destacam os 9.ºs Reencontros de Bamako, Bienal do Mali, Festival de Fotografia de Lagos, Nigéria, e exposições na Alemanha, Reino Unido (Londres e Liverpool), Holanda e EUA, entre outras.

PERFIL

Sabelo Mlangeni nasceu em 1980 em Driefontein, na África do Sul. É dos fotógrafos sul-africanos a emergir nos últimos anos, mas tem crescido de forma silenciosa com as fotos a preto-e-branco pungentes. Trabalha dentro de uma comunidade, capturando os seus momentos íntimos.

TEATRO. Produtora Lukizaia Mokonzi prepara-se para estrear a peça teatral ‘Conversas no Céu’, no domingo, no hotel Royal Plaza, em Luanda. Produtor executivo Valdano Lukizaia prefere manter o nome dos actores num segredo a ‘sete chaves’, mas promete que este será o “melhor espectáculo de Angola”e que o público vai “aprender muito sobre a história de Angola”.

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A produtora teatral Lukizaia Mokonzi apresenta, a 27 de Maio, em Luanda, ‘Conversas no Céu’, no hotel Royal Plaza, em Luanda, a partir das 20 horas.

A peça brinca com a História e perspectiva conversas entre Agostinho Neto, Jonas Savimbi e Holden Roberto, que se encontram ‘no céu’ a analisar a criação da nação e o actual estado de Angola.

Valdano Lukizaia, encenador e produtor executivo, inspirou-se, para escrever a peça, na “pouca informação” transmitida nas escolas sobre a história de Angola. “Enquanto fui estudante, nunca ouvi falar sobre a história de Angola de forma aprofundada a não ser passagens pequenas. Comecei a investigar e descobri muitas coisas e pensei que, do mesmo jeito que eu não sabia quase nada, outras pessoas também não devem saber”. Por isso, resolveu montar a peça teatral baseada em livros e com o apoio de alguns historiadores. “Não inventámos nada, apenas vamos mostrar dados que as pessoas desconhecem”, garante o responsável.

Sob narração e sonoplastia do músico Toty Sa’med, o espectáculo levou seis meses a ser preparado. Durante este período, muitos actores desistiram da peça por causa da “carga dramática”, outros por “medo de perderem os seus empregos”, o que o levou a manter o nome dos actores em segredo para “evitar transtornos” e deixar o “público curioso”. Passada essa ‘tempestade’, Valdano Lukizaia mostra-se preparado para enfrentar as consequências que podem advir depois do espectáculo.

‘Conversas no Céu’ é uma obra que pode ser vista por todas as pessoas sem quaisquer restrições de idades e será dominado pela comédia. A produção envolveu custos de mais de um milhão de kwanzas e conta com o patrocínio do BNI, Neovibe e outras empresas. Para a estreia, os bilhetes estão a ser comercializados a 6.000 kwanzas.

O produtor garante que o espectáculo vai ser o “melhor de Angola” e espera que o público aprenda a verdade sobre a história do país, que olhe para os três líderes de forma diferente e que lhes dê a “importância merecida”. Posteriormente a intenção é rodar a peça por todos os municípios de Luanda.

Valdano Lukizaia foi formado pelo grupo teatral Horizonte Njinga Mbandi, faz teatro há 13 anos e já produziu peças como ‘Presidente Por Um Mês’, com a participação do humorista Gilmário Vemba, ‘Banco de Urgência’, com Micaela Reis, ‘O Meu Amante é o Meu Melhor Amigo’, com Calado Show e outros.

CONCERTO. Organização Kwatas&Koolies estreia o evento ‘Nesta Noite Improvisa-se’. A iniciativa surgiu para divulgar e promover a música alternativa angolana. Primeira edição conta com a participação de Aline Frazão, Unekka e Toty Sa’med. Mentores garantem que este vai ser um espectáculo “bastante imprevisível”.

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Os artistas angolanos Aline Frazão, Toty Sa’med e Unekka apresentam-se nesta quinta-feira (26), a partir das 19 horas, na LAASP, ex-Liga Africana, em Luanda, num concerto denominado ‘Nesta Noite Improvisa-se’. A iniciativa é do projecto Kwatas&Koolies.

Trata-se da primeira edição do concerto neste formato realizado pela Kwatas&Koolies. ‘Nesta Noite Improvisa-se’ foi criado essencialmente para promover a música angolana, especialmente a praticada por artistas da nova geração. O objectivo, segundo o porta-voz do projecto, Oivando Carlos, é “difundir um conceito alternativo das sonoridades de todas as partes do país e do mundo”.

A proposta da Kwatas&Koolies prevê que este seja um espectáculo “improvável”, a ser executado por três exímios instrumentistas, fazendo um ‘casamento’ entre voz, violão e poesia, com um misto de improvisação e experimentalismo. “Um concerto com sonoridades e conteúdos, que promete embalar o público em experiências singulares, fruto de atmosferas novas e inesperadas de ambiências rítmicas e sonoras”, garante o responsável.

Para este evento, a Kwatas&Koolies teve um custo de produção de cerca de um milhão de kwanzas e conta com o apoio de parceiros como o Traços Design, Nakenys Brothers, Fotochic, Actos e Cenas e a Fundação Arte e Cultura.

Mediante a recepção e aceitação do público a esta primeira edição do ‘Nesta Noite Improvisa-se’, os promotores vão definir melhor o próximo concerto, tendo já a previsão de levar aos palcos músicos como Totó, Gari Sinedima e Anabela Aya.

Os bilhetes vão serão comercializados a 5.000 kwanzas, na pré-venda, e 6.000 kwanzas, no dia do evento.

Dois anos de Kwatas&Koolies

Criado há dois anos por um grupo de jovens artistas, o Kwatas&Koolies é uma organização que trabalha na área de promoção e produção de eventos culturais e agenciamento de artistas e tem como objectivo contribuir para o desenvolvimento da cultura artística nacional, através da promoção de actividades diversas.

Em volta da arte

‘Sou do género palavra’ com as poetisas Bel Neto e Elisângela Rita (Recital de ‘spoken word’);

‘Intimamente Acústico’ com Toty Sa´med (concerto intimista);

‘Muhatu’, em parceria com a organização do Luanda Slam (concurso feminino de ‘Spoken Word’);

‘Em(Contra) na avenida 21’, com Wilmar Nakeny (concerto intimista em parceria com o espaço Entre danças);

Produção de eventos de lançamento de Livros e afins (Livro ‘Um apaixonado Incorrigível’, 2017, do escritor Kialunga Afonso;

Revista literária ‘Letras de Ouro’, em 2018, pela editora Azul.

A ‘insular’

Aline Frazão é um dos nomes sonantes da nova geração de músicos angolanos. Cantora, compositora, guitarrista e produtora, nasceu em Luanda, há 29 anos. Em 2011, lançou o álbum de estreia ‘Clave Bantu’. O disco é composto por um repertório gravado em Santiago de Compostela com os músicos José Manuel Díaz e Carlos Freire. Conta ainda com duas parcerias inéditas com os escritores José Eduardo Agualusa e Ondjaki. Em 2013, lançou o disco ‘Movimento’ e, em 2015, o ‘Insular’. Actualmente, prepara o próximo trabalho discográfico, que prevê lançar no último trimestre deste ano.

Unekka e o violão

Kelani Mote M’Vemba, natural do Sumbe, Kwanza-Sul, é formada em Gestão de empresas pela Universidade Privada de Angola (UPRA). Professora de violão há sete anos, desenvolve um projecto sociocultural desde 2015. Membro da Fundação Arte e Cultura (Estúdio Casa da Música) e da Associação Afrocracia (para o resgate e valorização dos valores étnicos hábitos e costumes africanos, cultura e historicidade africana). De nome artístico Unekka, é cantora, guitarrista, intérprete, compositora, nos estilos reggae, ‘worldmusic’ e com tendências para o jazz e blues.

A nova geração

Nascido a 18 de Maio de 1989, em Luanda, Toty Sa’med é cantor, produtor, compositor e instrumentista autodidacta. É um dos artistas da ‘Nova Música Angolana’ que mais influencia as novas gerações que seguem uma linha mais alternativa. Aos 12 anos, já produzia instrumentais de rap, kuduro, kizomba. Com a bossa nova, samba e pop-rock brasileiro, desenvolveu a técnica na guitarra e o conceitoharmónico. Foi assim que nasceu o interesse em tocar jazz, funk e a Música Urbana Angolana, esta última com muitas semelhanças à Música Popular Brasileira das décadas de 1940 a 1970.