Geralda Embaló

Geralda Embaló

Directora-geral adjunta do Valor Económico

Seja bem-vindo querido leitor a este seu espaço onde perguntar não ofende no final de uma semana dominada por mais velhos teimosos, teimosos, mas teimosos. É preciso esclarecer que não há nada de errado com ser mais velho. Antes pelo contrário, mais idade é sinal inequívoco de vitória sobre as muitas adversidades que a vida vai colocando no nosso caminho, conjugada com a experiência valiosa de como as vencer. É um caminho natural que faz parte da existência e que estigmatizar é absurdo porque só chega a velho quem viveu... do mesmo modo que não há nada de necessariamente errado com a teimosia em si, particularmente quando toma a forma de persistência que contribui para levar planos a bom porto e para resistir a adversidades. No entanto, velhice e teimosia pode se tornar uma mistura gasosa com resultados bizarros e adversos, particularmente quando posta no poder. 

Seja bem-vindo querido leitor a este seu espaço onde perguntar não ofende depois de uma semana marcada por eventos políticos cataclísmicos na arena internacional. 

Seja bem-vindo querido leitor, futuro passageiro do teleférico de Luanda, a este seu espaço onde perguntar não ofende depois de uma semana repleta de projectos supérfluos que vão continuar a assegurar que a nossa governação esbanja milhões sem qualquer retorno ou utilidade pública mesurável (um pouco à semelhança das viagens do presidente)... 

Seja bem-vindo querido leitor a este seu espaço onde perguntar não ofende, depois de uma semana em que a actualidade mundial foi marcada por um novo aviso de Vladimir Putin de que poderá enviar armas para a Coreia do Norte em retribuição pelo armamento da Ucrânia pela comunidade internacional... Mais armas para a mesma Coreia do Norte que, desde o final do mês passado, já enviou mais de 1300 balões cheios de excrementos e de lixo para a vizinha do sul em resposta ao que dizem ser a propaganda do governo da Coreia do Sul, contra o líder Kim Jong Un. É Pyongyang a inovar e a aliar o escoamento sanitário ao terrorismo de Estado. 

Seja bem-vindo querido leitor a este seu espaço onde perguntar não ofende, depois de uma semana em que decorreu a quarta edição da feira de tecnologia Angotic e em que o governo americano enviou uma delegação para se vir inteirar do progresso a nível de energias limpas no país do presidente galardoado com um prémio da preservação do ambiente (mas que autoriza exploração petrolífera em reservas ambientais). A propósito de tecnologias e de americanos li um artigo numa revista científica acerca de uma inovação do MIT, o famoso Instituto de tecnologia de Massachusetts. O MIT é uma das universidades mais respeitadas do mundo, de onde já saíram mais de uma centena de prémios nobel, e, onde estudantes e pesquisadores terão, em finais de 2022, apresentado uma inovação no campo da energia solar, um impressionante painel solar, flexível, com o aspecto e a gramagem de um exame de raio x ou de uma cartolina e capaz de transformar qualquer superfície em que seja aplicado numa fonte de energia limpa captada do sol. São um centésimo do peso de um painel solar, leves como folhas de papel e são capazes de gerar 18 vezes mais energia do que o painel clássico através de supercondutores que podem ser impressos e adaptados a qualquer espaço, que são também mais duráveis, mais resistentes e de produção mais barata do que qualquer painel solar até agora. A 'novelty' leva a questionar o valor futuro da Central Fotovoltaica do Caraculo (que provavelmente foi apresentada aos americanos como trabalho bem feito) ali tão perto de onde tenho tanta família. O Namibe que foi notícia esta semana pela chegada dos camelos (dromedários na verdade) prometidos pelo governador da província, e agora pergunto eu e muitos angolanos, já não tínhamos camelos suficientes de norte a sul do país, que é preciso encomendar mais?